Samba-Panza considera mulheres mediadoras na construção da paz

A antiga Presidente de transição da República Centro-Africana (RCA), Catherine Samba-Panza, defendeu, em Luanda, o reforço da participação feminina nos processos de mediação, negociação e consolidação da paz em África.
Para a ex-Estadista, o continente deve reconhecer e institucionalizar urgentemente o papel determinante que as mulheres desempenham na prevenção e resolução de conflitos. Durante a sua intervenção na III Cimeira da Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC), Samba-Panza sublinhou que a sua própria vivência na liderança do Estado centro-africano, em plena crise político-militar, consolidou a sua convicção sobre o impacto da liderança feminina na diplomacia de paz. “As mulheres mantêm os laços invisíveis da coesão social. São elas que escutam, alertam, reconciliam e ajudam a restaurar a confiança. Apesar disso, continuam praticamente ausentes das grandes decisões políticas”, lamentou. A líder política sustentou que as mulheres actuam como as primeiras mediadoras no seio das comunidades africanas, reconstruindo laços familiares muito antes da intervenção dos mecanismos formais. Sublinhou que esta diplomacia de base, muitas vezes invisível, é o verdadeiro motor de resiliência que impede o colapso total das sociedades em tempos de guerra. Nesse sentido, defendeu uma mudança urgente de paradigma: a mediação feminina deve deixar de ser encarada como um mero gesto simbólico ou uma quota de representação, e passar a ser reconhecida como uma necessidade estratégica de segurança global. Para que isso aconteça, disse que os governos africanos devem remover as barreiras estruturais que impedem as mulheres de acederem a cargos de alta liderança política. Segundo a antiga Chefe de Estado, o futuro e a estabilidade de África passam, obrigatoriamente, pela validação do papel histórico, social e político das mulheres na arquitectura de paz do continente, transformando as recomendações internacionais em políticas públicas efectivas.



