São as instituições que maculam processos eleitorais em Angola, reagem analistas ao Tribunal Constitucional

A presidente do Tribunal Constitucional, Laurinda Cardoso, advertiu na quarta-feira, 17, em Luanda, que o uso massivo da inteligência artificial generativa, pode ser pode usada para produzir documentos falsos, vídeos manipulados e campanhas de desinformação com potencial para comprometer a lisura do processo eleitoral de 2027.
O presidente da Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD), Serra Bango, crítica esta narrativa, e fundamenta que o mau uso da inteligência artificial não deve ser responsabilidade do Tribunal Constitucional.
Segundo o líder da AJDP, a descredibilização dos tribunais são feitas pelas acções dos tribunais.
“Os tribunais devem e têm coisas mais fundamentais para se preocuparem, e não me parece que nenhuma destas questões seja o uso da inteligência artificial nas eleições de 2027”, disse, recordando um episódio em 2022, onde uma juíza teria sido impedida de consultar alguns documentos relacionados com o pleito.
Por sua vez, o cientista político Eurico Gonçalves, considera que as preocupações levantadas pela magistrada são legítimas, olhando para o actual contexto político e eleitoral.
Referir que a magistrada falava na cerimónia solene do 18.º aniversário de institucionalização do Tribunal Constitucional.
Laurinda Cardoso alertou que fenómenos como as deepfakes, gravações de áudio adulteradas e conteúdos sintéticos praticamente indistinguíveis dos originais já constituem uma realidade em várias partes do mundo e poderão igualmente afectar Angola.
A responsável sublinhou que estas ferramentas têm sido usadas noutros países para envolver figuras públicas e instituições em falsos escândalos, com capacidade para influenciar processos políticos, desacreditar os tribunais e gerar desconfiança entre os cidadãos.


