Secretário provincial do PHA em Malanje demite-se e acusa liderança de autoritarismo

O secretário provincial do Partido Humanista de Angola (PHA) em Malanje, Marcos José, abandonou a militância e o cargo que ocupava desde 2017, lançando duras acusações à liderança nacional da formação política, que considera marcada por falta de seriedade, incumprimento de promessas e alegada violação dos princípios democráticos.
Em declarações à imprensa, o político afirmou que a decisão foi motivada por um ambiente interno que, no seu entender, contraria os valores que estiveram na base da criação do partido. “Aceitei o convite para dirigir o partido na província por acreditar no seu projecto. Hoje, constato que o PHA padece de humanismo na prática e não demonstra condições para alcançar os objectivos que anuncia”, declarou.
Marcos José acusou directamente a direcção liderada por Bela Malaquias de incoerência entre o discurso e a acção, sustentando que as promessas feitas aos militantes e às populações não foram concretizadas. Segundo disse, há um défice de democracia interna e um alegado clima de autoritarismo que inviabiliza o debate e a participação efectiva dos membros.
O agora ex-secretário provincial revelou ainda ter tentado, por diversas vezes, estabelecer contacto com a presidente do partido para discutir as preocupações internas, mas sem sucesso. “Não houve abertura para o diálogo. A liderança tem demonstrado arrogância e falta de interesse em unir os militantes”, acusou.
Para Marcos José, a sua renúncia representa um acto de ruptura com práticas que considera incompatíveis com os princípios fundadores do partido, criado com a bandeira da humanização e do combate às desigualdades sociais.
Até ao momento, a direcção nacional do PHA não se pronunciou sobre as acusações, que surgem num contexto de crescente escrutínio público sobre a coerência interna e a governação dos partidos políticos no país.


