O cientista político Eurico Gonçalves considera que continua formalmente aberta a possibilidade de surgir uma segunda candidatura à presidência do MPLA, mas entende que uma eventual candidatura terá de superar, em pouco tempo, exigências formais e políticas para entrar na corrida ao 9.º Congresso Ordinário.
O processo de apresentação de candidaturas decorre até 25 de Outubro, segundo o calendário divulgado pelo MPLA. Para a presidência do partido, os proponentes devem reunir, entre outros requisitos, o apoio de pelo menos cinco mil militantes distribuídos por todas as províncias do país.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, Eurico Gonçalves distingue, no entanto, a possibilidade formal de uma candidatura da sua capacidade de avançar efectivamente no processo.
“Uma coisa é a possibilidade formal, outra é a viabilidade política. Um eventual candidato terá de reunir rapidamente os requisitos, construir a confiança e demonstrar que a sua candidatura acrescenta valor ao partido”, afirmou.
Para o analista, o factor tempo ganha particular importância, uma vez que, depois de encerrada a fase de apresentação, entre 26 de Outubro e 1 de Novembro será feita a verificação da conformidade das candidaturas. A comunicação sobre a validação ou rejeição está prevista para os dias 2 a 5 de Novembro, seguindo-se a campanha eleitoral interna até 7 de Dezembro.
“A porta está aberta, mas o tempo está a fechar-se”, resumiu Eurico Gonçalves.
O especialista entende igualmente que uma eventual segunda candidatura não deve ser automaticamente associada a uma ruptura dentro do partido.
“Uma segunda candidatura também não deve ser vista como ameaça à coesão, pode funcionar como mecanismo de ventilação democrática, desde que exista lealdade institucional e respeito pelas regras”, defendeu.
A possibilidade de uma disputa com mais de uma candidatura continua, de resto, a ser admitida pelo próprio MPLA. O secretário para a Informação e Propaganda do Bureau Político, Esteves Hilário, afirmou que ainda é prematuro determinar se o Congresso terá uma ou mais candidaturas à liderança. Segundo o dirigente, a definição deverá ocorrer no final de Outubro.
O 9.º Congresso Ordinário do MPLA está marcado para 9 e 10 de Dezembro, em Luanda. O partido já confirmou que o processo preparatório segue o calendário estabelecido.
Na análise de Eurico Gonçalves, o desafio não termina na apresentação das candidaturas. Para o cientista político, o Congresso deverá também produzir condições de coesão, previsibilidade e organização tendo em conta o próximo ciclo eleitoral.
“A menos de um ano de 2027, o que será decisivo não é apenas vencer o Congresso, mas que o Congresso produza previsibilidade, confiança, estabilidade e capacidade eleitoral”, concluiu.




