Sucesso da UNITA pela integração de Chivukuvuku na FPU foi “roubado ao Bloco Democrático”, diz Joaquim Jaime

O analista Joaquim Jaime disse esta terça-feira, 02, à Rádio Correio da Kianda, que o sucesso que a UNITA teve por via da integração de Abel Chivukuvuku na Frente Patriótica Unida (FPU), foi “roubado ao Bloco Democrático”.
O especialista sustenta a sua afirmação pelo facto de na altura o presidente dos bloquistas Filomeno Vieira Lopes ter tido a pretensão de convidar Chivukuvuku a liderar a lista do seu partido nas eleições de 2022.
O analista disse que neste momento resta apenas duas saídas para o Bloco Democrático que passa isoladamente no pleito de 2027, ou fundir-se na UNITA, o que na visão de Joaquim Jaime constituir-se-á numa estratégia de sobrevivência.
Joaquim Jaime classifica a entrada do Bloco Democrático na FPU como um “erro estratégico”.
O especialista explica que o sucesso que a UNITA teve no pleito passado deve-se a presença de Abel Chivukuvuku na FPU.
Joaquim Jaime disse por outro lado que o XIV Congresso Ordinário da UNITA acarreta muitas expectativas por conta da questão da Frente Patriótica Unida (FPU), que na altura dividiu as opiniões dos quadros seniores do partido.
Joaquim Jaime acredita que estes mesmos membros vão procurar neste conclave, cobrar a liderança cessante sobre os resultados da plataforma e discutir pela sua formalização ou não, uma vez do imperativo legal sobre a necessidade do outro ente, o Bloco Democrático concorrer em 2027, sob pena de ser extinto.
Para o analista, será neste conclave do Galo Negro aprazado para os dias, 28, 29 e 30 de Novembro, que os delegados poderão questionar e tirar satisfação a liderança cessante sobre o afastamento de militantes que se viam no direito de integrar à lista de deputados de 2022, preteridos por membros do Bloco Democrático, PRA-JA Servir Angola e sociedade civil.
De acordo com Joaquim Jaime, esta situação causou um irritante interno na UNITA, que se encontra neste momento divido entre militantes que apoiam o regresso de Isaías Samakuva, ao passo que outros apoiam o filho do fundador do partido Rafael Massanga Savimbi.
Já o politólogo Agostinho Sicato disse que a fragmentação interna na UNITA é visível, com destaque para aquilo a que chamou de grupos pós Jonas Savimbi, que o antigo presidente Isaías Samakuva teve de congregar para a harmonização do partido.
Sicato disse que actualmente têm se uma UNITA faccionada em grupos de apoio, sendo uma do presidente Adalberto Costa Júnior, uma virada para o ex-líder Isaías Samakuva, uma outra ligada aos que se consideram resgate da mística do partido e uma última nem uma nem outra, mas sim híbrida, e que todas elas procuram se afirmar.
As declarações foram feitas durante o programa Bancada Parlamentar da Rádio Correio da Kianda emitido, todas às terças-feiras.


