Téte António considera segurança alimentar um desafio de soberania e dignidade humana

Luanda – O ministro das Relações Exteriores, Téte António, considerou, esta sexta-feira, em Bissau (Guiné-Bissau) que a segurança alimentar deixou de ser uma questão sectorial para se tornar um desafio estratégico de soberania, estabilidade e dignidade humana.
Ao discursar na décima quinta Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em representação do Chefe de Estado angolano, João Lourenço, sublinhou que o tema da reunião “A CPLP e a Soberania Alimentar: um caminho para o desenvolvimento sustentável” é de grande actualidade e relevância.
Destacou que a escolha do tema, pela presidência pro tempore da Guiné-Bissau, está alinhada aos esforços do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP (COSAN-CPLP), enfatizando que Angola tem plena consciência de que não há desenvolvimento sustentável sem soberania alimentar.
Deu a conhecer que Angola tem vindo a implementar políticas públicas robustas e integradas, com destaque para o Plano de Desenvolvimento das Agrovilas (PDA), lançado oficialmente em Fevereiro deste ano, que visa transformar o meio rural num espaço de oportunidades, de produção e de dignidade.
Esclareceu que as agrovilas piloto em implementação combinam habitação, produção agrícola, acesso à água, energia e serviços sociais básicos, como comunidades modelo que acolhem famílias vulneráveis, jovens, antigos combatentes e viúvas, promovendo a inclusão produtiva e o combate à pobreza.
Adiantou que se está a criar condições para que os beneficiários tenham título de posse fundiária, facilitando o acesso ao crédito agrícola e a autonomia económica.
Revelou que Angola está a investir fortemente na produção nacional de alimentos, com foco em grãos, frutas, hortícolas, pecuária e piscicultura, e salientou que mais de 1,2 milhões de famílias recebem apoio técnico e formação em mais de sete mil escolas de campo, numa verdadeira mobilização nacional pela produtividade e pela resiliência.
O Programa de Desenvolvimento da Agricultura Comercial está a apoiar pequenos produtores nas províncias angolanas do Cuanza Sul, Huambo e Bié, promovendo uma agricultura moderna, competitiva e sustentável, disse Téte António.
Enfatizou que são experiências que Angola quer partilhar com os países da CPLP, tendo proposto a criação de uma “Plataforma CPLP para a Soberania Alimentar”, que permita o intercâmbio de boas práticas, mobilização de recursos e cooperação técnica entre os nove países membros da organização.
“A fome não espera. A insegurança alimentar não respeita fronteiras. E o tempo de agir é agora”, alertou o ministro Téte António, apelando para que a CPLP se afirme como uma voz activa e solidária na luta global contra a fome e pela dignidade dos povos.
Participaram nesta décima quinta conferência, os Presidentes Umaro Sissoco Embaló, da Guiné-Bissau, José Maria Neves, de Cabo Verde, Daniel Chapo, de Moçambique, Carlos Vila Nova, de São Tomé e Príncipe, José Manuel Ramos-Horta, de Timor Leste, assim como representantes do Brasil, Portugal e Guiné Equatorial.
Fátima Jardim eleita secretária executiva da CPLP
A embaixadora angolana Maria de Fátima Monteiro Jardim foi eleita, esta sexta-feira, por unanimidade, secretária executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), para o biénio 2025–2027.
A eleição ocorreu durante os trabalhos da décima quinta Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorreu esta sexta-feira na capital de República da Guiné-Bissau.
O chefe da diplomacia angolana, que apresentou a candidatura de Angola, disse aos Chefes de Estado e de Governo presentes que a eleição de Fátima Jardim representa a continuidade de uma liderança comprometida com os valores fundacionais da CPLP, nomeadamente a concertação político-diplomática, cooperação multissectorial e promoção da língua portuguesa como património comum.
De acordo com o Ministro Téte António a eleição de Angola respeita o princípio da rotatividade alfabética e reflecte o compromisso do país com uma CPLP mais coesa, eficaz e próxima dos cidadãos.
A Embaixadora Fátima Jardim é uma figura dereconhecido mérito nacional e internacional que desempenhou funções de elevada responsabilidade no Governo de Angola, nomeadamente ministra das Pescas e do Ambiente, tendo representado o país nas negociações do Acordo de Paris durante a COP21.
Foi também vice-presidente do Conselho da FAO em representação de África e embaixadora de Angola na Itália.
Importa destacar que Fátima Jardim foi agraciada com o Prémio Lusofonia, distinção que reconhece personalidades que se destacam na promoção da língua portuguesa, da cultura comum e da cooperação entre os povos da CPLP.


