Timor-Leste participa na Assembleia Parlamentar da CPLP em Angola, com Guiné-Bissau em agenda

Uma delegação do parlamento de Timor-Leste participa na próxima semana em Angola na Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP), que terá a Guiné-Bissau na agenda, disse a presidente do parlamento timorense, Fernanda Lay.
A Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP) vai decorrer entre 22 e 24 de Julho, e além da Guiné-Bissau, vai debater também a questão da mobilidade, a governação na CPLP, a democracia e a integridade institucional e o funcionamento do Secretariado Executivo.
"A nossa delegação parlamentar deslocar-se-á a Angola para abordar a situação na Guiné-Bissau", afirmou a presidente do Parlamento Nacional, Maria Fernanda Lay, no final de um encontro com o Presidente da República, José Ramos-Horta, no Palácio Presidencial.
Segundo Maria Fernanda Lay, "a situação na Guiné-Bissau é um pouco complicada".
"Por isso, teremos também de agir com prudência quando interviermos e abordarmos este assunto, que é bastante delicado", salientou Fernanda Lay.
"Não podemos entrar na casa dos outros, nem interferir nos seus assuntos internos. Foi essa a mensagem transmitida pelo Presidente da República", disse Maria Fernanda Lay.
A presidente do Parlamento comprometeu-se ainda a defender a promoção do diálogo entre as partes.
"Estamos preocupados porque o Presidente do Parlamento foi preso. No entanto, espero que, na minha intervenção, possa apelar à promoção do diálogo entre as partes", concluiu a líder parlamentar timorense.
Fernanda Lay referia-se a Domingos Simões Pereira, líder do histórico Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e também presidente eleito do parlamento guineense, dissolvido em Dezembro de 2023, pelo então Presidente Umaro Sissoco Embaló.
Domingos Simões Pereira foi detido na Sexta-feira em Bissau, capital da Guiné-Bissau, por suspeita de participar na alegada tentativa de golpe de Estado que terá ocorrido cerca de um mês antes das eleições gerais marcadas para 23 de Novembro de 2025 e do golpe militar consumado de 26 de Novembro, que interrompeu o processo eleitoral e depôs Umaro Sissoco Embaló.
A oposição classifica o golpe militar como uma alegada encenação do antigo Presidente da República, a quem acusa de continuar a comandar os destinos da Guiné-Bissau.
O Alto Comando Militar, que governa o país desde a deposição de Umaro Sissoco Embaló, marcou novas eleições para 6 de Dezembro, aprovou uma nova Constituição que dá mais poderes ao chefe de Estado e que vai ser referendada a 30 de Agosto.
Na sequência do golpe de Estado de Novembro de 2025, a presidência da CPLP, que pertencia à Guiné-Bissau, foi atribuída a Timor-Leste, depois daquele país africano ser suspenso da organização lusófona.



