O Presidente em exercício da União Africana e do Burundi, Évariste Ndayishimiye, sublinhou domingo que os países africanos não vão conseguir liderar e resolver os seus próprios problemas de guerra e violência se continuarem dependentes de investidores do Ocidente.
O Chefe de Estado burundês fez o pronunciamento na abertura da Cimeira sobre o reforço dos mecanismos de prevenção, gestão e resolução de conflitos em África, que encerrou ontem em Luanda.
Na ocasião, o Estadista disse ser crucial que os Estados-membros continuem a investir no Fundo de Paz da União Africana, um mecanismo financeiro criado para apoiar operações de paz, segurança, prevenção e resolução de conflitos no continente africano.
Neste particular, adiantou que a medida vai garantir a aquisição dos recursos necessários para alcançar os principais objectivos do continente.
Durante a Cimeira voltada para os desafios da paz, segurança e financiamento sustentável, Évariste Ndayishimiye considerou essencial o reforço da cooperação entre a União Africana, Comunidades Económicas Regionais e Mecanismos Regionais, Estados-membros, Nações Unidas e parceiros estratégicos.
Investir na reconciliação
Por outro lado, o líder da UA entende que os Estados-membros da União Africana devem investir na reconciliação, reconstrução e no desenvolvimento pós-conflito para assegurar a permanência do “cessar- fogo”.
O Estadista considerou, igualmente, legítimas as reclamações das Organizações Não-Governamentais sobre a fraca intervenção dos governos no processo de desmobilização, desarmamento e reconciliação pós-conflito.
“As autoridades estatais devem permanecer atentas aos processos de prevenção e gestão de conflitos. Até a presente data, os Estados por si só não estão em condições de suportar este fardo”, afirmou.
A experiência de Angola, Burundi e de outros Estados africanos, continuou, demonstra que nenhum conflito é eterno e nenhuma divisão é irreversível quando a vontade política de fazer a paz for maior que a de fazer a guerra.
A 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da UA encerrou, assim, com o compromisso de reforçar a capacidade africana de antecipar crises, privilegiar soluções políticas e diplomáticas e consolidar mecanismos próprios de prevenção e resolução de conflitos.




