Único homem na Organização das Primeiras Damas propõe mudança do nome da instituição

O primeiro-cavalheiro da Namíbia, Denga Ndaitwah, defendeu, em Luanda, uma abordagem mais inclusiva à igualdade de género e propôs a alteração do nome da Organização das Primeiras Damas Africanas para o Desenvolvimento (OPDAD), argumentando que a instituição deve representar igualmente os primeiros-cônjuges masculinos que desempenham um papel activo na promoção do desenvolvimento em África.
A proposta foi apresentada durante a gala de beneficência da OPDAD, realizada na passada sexta-feira, na capital angolana, onde Ndaitwah participou na qualidade de único membro masculino da organização.
Na sua intervenção, o primeiro-cavalheiro afirmou que homens e mulheres são parceiros no processo de desenvolvimento e que o empoderamento das mulheres e raparigas não deve ser visto como incompatível com a necessidade de apoiar os rapazes e os jovens homens.
Segundo defendeu, África precisa de uma estratégia de igualdade de género verdadeiramente inclusiva, que promova oportunidades para ambos os sexos e contribua para a construção de sociedades mais equilibradas e sustentáveis.
Denga Ndaitwah apelou igualmente ao reforço de políticas públicas destinadas aos rapazes, incentivando-os a permanecer no sistema de ensino, a afastarem-se da criminalidade, da violência e do consumo de substâncias nocivas, para que possam desenvolver plenamente o seu potencial académico e profissional.
Durante o discurso, alertou para aquilo que classificou como uma crise silenciosa que afecta os rapazes em várias partes do mundo, sobretudo nos domínios da educação, da saúde mental e da integração social.
Citando dados recentes da UNESCO, revelou que cerca de 132 milhões de rapazes em idade escolar primária e secundária permanecem fora do sistema de ensino a nível mundial. Referiu ainda que os rapazes apresentam maiores taxas de reprovação no ensino primário e menores probabilidades de concluir os estudos secundários.
Perante este cenário, comprometeu-se a desenvolver, através do seu gabinete, iniciativas que promovam o bem-estar dos rapazes, sem descurar os avanços alcançados na defesa dos direitos das mulheres e das raparigas.
No final da intervenção, apresentou formalmente a proposta de alteração da designação da OPDAD para Organização dos Primeiros Cônjuges Africanos para o Desenvolvimento, considerando que o actual nome já não reflecte a composição da instituição.
Segundo explicou, a nova designação reconheceria a participação dos primeiros-cônjuges masculinos e reforçaria o carácter inclusivo da organização, acompanhando a evolução das estruturas de representação dos Chefes de Estado africanos nas iniciativas de desenvolvimento social e humano.
Actualmente, Denga Ndaitwah é o único homem integrado na organização, circunstância que serviu de base para defender uma mudança que considera necessária para tornar a instituição mais representativa da realidade africana contemporânea.
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