UNITA alerta que morte de testemunhas pode dificultar identificação das ossadas de António Dembo

A UNITA manifestou preocupação com o impacto da morte de antigos efectivos militares das extintas Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA) que terão testemunhado o falecimento e o enterro do antigo vice-presidente do partido, António Sebastião Dembo, considerando que esta situação poderá dificultar o processo de identificação das suas ossadas.
A posição foi avançada esta sexta-feira pelo porta-voz do partido, Francisco Falua, em declarações à Rádio Correio da Kianda, na sequência do apelo lançado pela Comissão para Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), que pediu a colaboração da UNITA no processo de localização e identificação dos restos mortais do antigo dirigente.
Segundo Francisco Falua, a ausência de testemunhas directas representa hoje um dos principais entraves ao esclarecimento do caso.
“O desafio que se coloca neste momento prende-se com o facto de todos os efectivos militares que testemunharam o falecimento e o enterro de António Dembo já terem falecido”, afirmou.
Ainda assim, o responsável garantiu que a identificação dos restos mortais do antigo dirigente sempre foi uma prioridade para a UNITA, sublinhando que o partido tem insistido nesse processo ao longo dos anos, com vista a permitir um funeral condigno à família.
“Mesmo durante a liderança do presidente Isaías Samakuva e, posteriormente, no primeiro mandato do presidente Adalberto Costa Júnior, esta questão foi várias vezes levantada”, recordou.
A posição da maior força política na oposição surge depois de a CIVICOP ter reiterado a sua disponibilidade para garantir tratamento igualitário a todas as vítimas dos conflitos políticos em Angola, independentemente da sua filiação partidária.
A garantia foi reforçada por Nuno Caldas, membro da comissão, durante a cerimónia de entrega de 11 ossadas às respectivas famílias, no âmbito do processo de reconhecimento das vítimas dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977.
O acto teve lugar na sexta-feira, na Praça Papa Leão XIV, no Kilamba, em Luanda, no quadro das iniciativas de reconciliação e memória histórica em curso no país.
António Sebastião Dembo assumiu interinamente a liderança da UNITA em Fevereiro de 2002, após a morte de Jonas Malheiro Savimbi, num dos períodos mais delicados da história do partido e do processo de transição política em Angola. Veterano da luta armada, Dembo viria a falecer poucos meses depois, aos 58 anos, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas, permanecendo até hoje por identificar o paradeiro das suas ossadas.


