UNITA contesta “sonhos insustentáveis” do OGE 2026 e acusa Executivo de falhar no combate à pobreza

Luanda – O deputado da UNITA Joel Pacheco criticou esta segunda-feira, na Assembleia Nacional, a proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026, afirmando que o documento apresenta metas “insustentáveis” e está distante da realidade socioeconómica do país.
Na sua intervenção durante a 1.ª Reunião Plenária Ordinária da 4.ª Sessão Legislativa, o parlamentar afirmou que o Executivo “continua preso a um dilema entre objectivos fixados e incoerência na sustentabilidade das políticas públicas”.
O OGE para 2026 estima receitas e despesas totais de 33,24 biliões de kwanzas, dos quais 15,24 biliões destinam-se ao serviço da dívida e 17,68 biliões à despesa primária. O Governo garante que o orçamento está orientado para quatro prioridades: melhorar o poder de compra e proteger os mais vulneráveis, reforçar a segurança alimentar e o emprego, apostar no sector social e relançar as finanças públicas com mais transparência.
Para Joel Pacheco, porém, a retórica oficial contrasta com a vida real dos cidadãos, marcada pela perda do poder de compra, inflação persistente, elevado desemprego juvenil – que destacou estar acima dos 52% – e uma diversificação económica que “continua a ser uma miragem”.
O deputado contestou igualmente as projecções económicas apresentadas pelo Executivo, que prevêem um crescimento do PIB de 4,2% em 2026 (contra 3% em 2025) e uma descida da inflação para 13,7%. Para o parlamentar, são “sonhos insustentáveis que a propaganda tentará transformar em verdade”.
Sobre a dívida pública, Pacheco reconheceu que o Governo aponta uma redução do rácio da dívida de 70,7% do PIB em 2023 para uma estimativa de 45,3% em 2026, mas questionou a credibilidade destes números.
O deputado analisou também as dotações sectoriais do OGE: • Educação: 2 291,38 mil milhões Kz (6,89%) • Saúde: 2 083,15 mil milhões Kz (6,27%) • Protecção Social: 1 472,45 mil milhões Kz (4,43%)
Apesar do aumento anual das verbas para sectores sociais, Pacheco argumenta que os resultados “não têm revertido os níveis de pobreza que assolam o povo angolano”.
Citando dados recentes, afirmou que 46% dos angolanos vivem em extrema pobreza e 30% em pobreza moderada, com a região leste a atingir 64% de pobreza extrema. Lembrou que o país registou um aumento de 13% no índice de pobreza extrema desde 2019.
“Queremos saber o milagre dos números”, disse, pedindo explicações ao Presidente João Lourenço. “Partilhem connosco esta fórmula de empobrecer os angolanos.”
Pacheco defendeu reformas económicas profundas, maior liberdade ao mercado e menos intervenção estatal. Criticou o envolvimento do Estado em actividades comerciais, afirmando: “Sr. Titular do Poder Executivo, deixe de vender fuba. O Estado não deve perder tempo com essas coisas.”
Citando Adalberto Costa Júnior, reforçou: “A fome não se combate com esmolas governamentais, mas libertando as pessoas para produzirem, trabalharem e empreenderem.”
O deputado concluiu que é urgente “inverter o quadro” e garantir que o OGE tenha impacto real na vida das populações.


