UNITA exige investigação urgente após denúncias de espionagem contra jornalista angolano

Luanda - O Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA manifestou, esta quinta-feira, profunda preocupação perante as revelações da Amnistia Internacional que apontam para a utilização do software de espionagem Predator na vigilância ao jornalista angolano Teixeira Cândido.
Em comunicado divulgado em Luanda, o maior partido da oposição considerou tratar-se de uma prática “gravíssima”, incompatível com o Estado Democrático de Direito e contrária à Constituição angolana, nomeadamente aos princípios relativos ao direito à intimidade e à inviolabilidade das comunicações. Segundo a nota, caso as denúncias se confirmem, o país poderá estar perante a institucionalização de um sistema ilegal de monitorização de cidadãos, configurando um “perigoso desvio autoritário” e uma violação das liberdades fundamentais.
Perante o caso, a UNITA anunciou que irá orientar o seu Grupo Parlamentar a requerer, com carácter de urgência, a audição parlamentar dos responsáveis do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) e do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), com o objectivo de obter esclarecimentos públicos sobre as alegações.
O partido exige igualmente ao Ministério Público a abertura imediata de um processo de investigação independente, rigoroso e imparcial para apurar eventuais responsabilidades criminais e institucionais decorrentes das denúncias tornadas públicas.
Na mesma nota, a UNITA manifestou solidariedade ao jornalista Teixeira Cândido, sublinhando que a alegada vigilância não atinge apenas a sua esfera pessoal, mas também a liberdade de imprensa e o direito dos cidadãos à informação. O partido condenou ainda qualquer prática de espionagem ilegal contra jornalistas, activistas, políticos ou cidadãos comuns, classificando-a como uma afronta directa à Constituição e um retrocesso civilizacional.
O comunicado termina com a reafirmação do compromisso do partido com o Estado de Direito Democrático, a liberdade de imprensa e a protecção das liberdades fundamentais. O documento foi datado de 19 de Fevereiro de 2026, em Luanda.


