Análise sobre a instabilidade no Leste da RDC

Resumo: Líderes africanos reuniram-se em Luanda para avaliar a crise no Leste da RDC e promover soluções políticas regionais, diante da persistência de grupos armados e da crise humanitária.
Pontos-chave
Em 9 de fevereiro de 2026, em Luanda, realizou-se uma reunião tripartida entre o Presidente João Lourenço, o Presidente do Togo Faure Gnassingbé e o ex-chefe de Estado nigeriano Olusegun Obasanjo para debater a situação no Leste da República Democrática do Congo; o encontro, à porta fechada, teve como objetivo avaliar ações políticas e regionais para buscar estabilidade numa zona marcada por confrontos e deslocamentos.
Durante o encontro, os líderes analisaram relatórios sobre a atuação de grupos armados como o M23 e as ADF, avaliando propostas para reforçar a coordenação entre estados dos Grandes Lagos; enfatizou-se a necessidade de soluções políticas negociadas e mecanismos regionais de segurança, bem como medidas urgentes de proteção à população civil afetada por insegurança alimentar e deslocamentos internos.
Representantes locais e autoridades militares sinalizaram lacunas na capacidade de resposta no terreno, com destaque para a insuficiência de efetivos das Forças Armadas da RDC em setores vulneráveis; discutiu-se o reforço de patrulhas, melhoria do acesso humanitário e a importância de responsabilizar atores que patrocinam milícias, buscando reduzir a impunidade e restaurar condições mínimas de segurança para comunidades rurais atacadas.
Os mediadores presentes reiteraram a aposta em diplomacia africana e na mediação liderada pelo Togo, com o apoio da União Africana, para consolidar acordos prévios e promover a implementação de compromissos já assumidos entre Kinshasa e Kigali; salientou-se também a importância de coordenação com parceiros internacionais para suporte humanitário e monitorização do cumprimento de compromissos de retirada e desmobilização.
Analistas e observadores sublinharam que, apesar de acordos assinados em 2025, a violência persiste e exige esforços contínuos de diálogo político, segurança e reconstrução; as conversas em Luanda procuraram traçar passos concretos de curto e médio prazo para proteger civis, promover a devolução de territórios às autoridades legítimas e preparar um quadro que possibilite a estabilidade sustentável na região dos Grandes Lagos.



