Angola destaca paz e integração na UA

Resumo: Na passagem da presidência da UA, João Lourenço sublinhou prioridade em paz, soluções africanas e integração regional, apelando à cooperação e mobilização de recursos para implementar a Agenda 2063.
Pontos-chave
Em 14 de fevereiro de 2026, durante a 39.ª Cimeira da União Africana em Addis Abeba, o presidente cessante João Lourenço fez um balanço do mandato marcado por mediações e esforços pela estabilidade. Defendeu que a África deve priorizar soluções africanas para problemas africanos, reafirmando a importância da autonomia estratégica e da coordenação entre Estados-membros para responder às crises.
Lourenço insistiu na necessidade de reforçar mecanismos africanos de prevenção e resolução de conflitos, advertindo contra a normalização de golpes de Estado que depois se tentam legitimar por eleições. Propôs uma sessão extraordinária em Luanda para debater paz, segurança e desenvolvimento, com vista a consolidar instrumentos que impeçam o branqueamento de atos inconstitucionais e protejam a ordem constitucional.
O mandatário apontou também a integração económica como vetor central e destacou a Zona de Comércio Livre Continental Africana como motor transformador para o crescimento. Sublinhou a relevância de investir em infraestruturas transfronteiriças de transporte e energia, mencionando o Corredor do Lobito como exemplo, e apelou à cooperação para ligar mercados e permitir que a integração deixe de ser um objetivo e passe a ser realidade.
No âmbito diplomático, Lourenço valorizou a participação africana em fóruns globais, incluindo G20 e TICAD, para defender reformas da arquitetura financeira internacional e proteger interesses estratégicos do continente. Reforçou o apelo ao multilateralismo e à solidariedade entre Estados-membros, bem como à mobilização de recursos internos e inovadores para financiar prioridades como paz, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável.
Além disso, anunciou iniciativas a realizar em Luanda, como a Bienal de Luanda sobre Cultura da Paz e a Cimeira Global para o Investimento em África, visando promover diálogo, investimento e governação da água como ferramenta de prevenção de conflitos. Convidou líderes africanos a participar ativamente, enfatizando que a coesão institucional e a responsabilidade coletiva são essenciais para a concretização da Agenda 2063.



