Angola capta 2,5 mil milhões em Eurobonds

Resumo: Angola mobilizou 2,5 mil milhões de dólares em Eurobonds, com forte procura de 5,2 mil milhões e taxas abaixo de emissões anteriores. Recursos vão financiar o Orçamento Geral do Estado 2026 e gerir passivos.
Pontos-chave
Em 25 de março de 2026, Angola emitiu dois títulos no total de 2,5 mil milhões de dólares, divididos em 1,5 mil milhões a sete anos (9,25%) e 1,0 mil milhões a 11 anos (9,80%), numa operação que teve ordem de procura avaliada em cerca de 5,2 mil milhões de dólares, sinalizando forte interesse internacional pelo risco angolano.
O ministro José de Lima Massano destacou que a emissão ocorreu num contexto internacional marcado por incerteza e volatilidade, sendo uma das primeiras emissões de países emergentes após o conflito no Médio Oriente, e que permitiu ao país obter condições de financiamento mais favoráveis em relação a operações anteriores, refletindo crescente confiança dos investidores.
Os recursos captados destinam-se a financiar o Orçamento Geral do Estado para 2026 e a assegurar o cumprimento de responsabilidades financeiras do Estado, incluindo pagamentos a fornecedores e gestão ativa da dívida pública, com parte das receitas podendo ser utilizada em operações de recompra de títulos mais caros para melhorar o perfil de vencimentos.
A operação contou com forte participação de investidores dos mercados do Reino Unido e dos Estados Unidos, sendo estes últimos onde se registou maior mobilização de recursos, e ficou referida pela Bloomberg como exemplo de procura robusta, com taxas situadas num patamar que analistas consideram elevadas, mas competitivas face ao atual ambiente global.
Desde 2015, Angola já recorreu várias vezes ao mercado de Eurobonds para financiar necessidades externas, acumulando emissões relevantes ao longo da década; a mais recente captação reforça a posição do país como emitente credível na África Subsaariana, apesar das condições globais de financiamento ainda exigirem taxas superiores a regimes desenvolvidos.



