Filas e falhas travam emissão do BI

Resumo: A emissão do Bilhete de Identidade continua irregular em Angola e na diáspora, com falhas técnicas, filas longas e utentes a passar noites ao relento. Os consulados e postos de Luanda tentam normalizar o atendimento.
Pontos-chave
Em Lisboa, o Consulado-Geral de Angola anunciou a retoma da emissão de Bilhetes de Identidade e Certificados de Registo Criminal, após resolver constrangimentos técnicos na plataforma do CPBI. O serviço tinha sido interrompido, afectando cidadãos que dependem destes documentos para processos pessoais e administrativos.
Antes da normalização, os consulados de Lisboa e Porto estiveram mais de um mês sem emitir Bilhetes de Identidade e Registo Criminal. Apenas os passaportes continuavam activos, enquanto os utentes aguardavam por uma solução. O problema foi atribuído a falhas técnicas no sistema central de identificação civil, em Luanda.
Em Luanda, a situação repete-se com enorme pressão sobre o posto da Direcção Nacional dos Serviços de Identificação, na Nova Marginal. Dezenas de cidadãos passam a noite ao relento para conseguir senha, renovar o BI ou pedir segunda via, sobretudo para concorrer a empregos públicos e privados.
Os relatos apontam para filas extensas, sistema indisponível e suspeitas de favorecimento. Vários utentes denunciam intermediários que pedem valores muito acima da taxa legal para acelerar o processo. Outros contam que chegam de madrugada, mas saem sem atendimento, apesar de horas de espera e das necessidades urgentes.
Entre os casos ouvidos, há jovens que arriscam perder concursos e empregos por não terem o documento actualizado. Alguns conseguem ser atendidos após dormir no local, muitas vezes com prioridade para menores. No conjunto, os episódios mostram um serviço ainda frágil, com forte impacto na vida quotidiana dos cidadãos.



