Angola fecha financiamento para dívida externa

Resumo: João Lourenço autorizou um financiamento de 340 milhões de euros para apoiar a gestão da dívida externa. A operação permitirá pagamentos antecipados a credores e reforça a estratégia de sustentabilidade financeira.
Pontos-chave
O Governo angolano autorizou um financiamento de 340 milhões de euros para apoiar a gestão da dívida externa. O acordo será celebrado com o BBVA e conta com cobertura de instituições do Grupo Banco Mundial, reforçando a segurança da operação e permitindo avançar com pagamentos antecipados a credores já existentes.
Segundo os despachos publicados, o empréstimo destina-se a aliviar compromissos financeiros da carteira de dívida comercial externa do Estado. A medida procura melhorar o perfil da dívida, reduzir riscos de liquidez e criar condições mais favoráveis para o cumprimento das obrigações externas sem agravar a pressão imediata sobre as finanças públicas.
O Plano Anual de Endividamento de 2026 mostra a dimensão do esforço financeiro do país. O serviço da dívida governamental deverá atingir 15,24 biliões de kwanzas, valor que representa uma fatia muito elevada das receitas fiscais previstas e quase metade do Orçamento Geral do Estado, após todas as fontes de financiamento.
No mesmo plano, o Ministério das Finanças estima que o stock da dívida governamental possa chegar a cerca de 60,99 biliões de kwanzas, equivalentes a 64,7 mil milhões de dólares. A projeção aponta ainda para um rácio dívida/PIB de 45%, num contexto de aumento do endividamento líquido em 2026.
A decisão presidencial delega na ministra das Finanças poderes para negociar e assinar o acordo, bem como toda a documentação associada. Para o Executivo, trata-se de uma operação alinhada com a estratégia de tornar a dívida mais sustentável e garantir uma gestão mais eficiente dos recursos financeiros do país.


