Angola paga US$850 mil/dia por importação de frango

Resumo: Relatório e discursos ministeriais mostram que Angola gastou cerca de US$310–312 milhões em importação de frango em 2025. Governo promove medidas para reduzir importações e aumentar produção interna.
Pontos-chave
Em 2025, Angola importou aproximadamente 227.855 toneladas de frango e partes, número que resultou em um desembolso na ordem de US$310–312 milhões, ou cerca de US$850 mil por dia; o ministro da Indústria e Comércio destacou que cada dólar gasto fora do país representa perda de investimento em agricultura, indústria e criação de emprego, estimulando metas de autossuficiência e eventual exportação futura.
Entre 2019 e 2025 a produção nacional de carne de aves saltou de cerca de 28 mil toneladas para aproximadamente 63–64 mil toneladas, um crescimento que o Executivo considera encorajador porém ainda insuficiente; o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023–2027 coloca a autossuficiência alimentar como prioridade, exigindo aceleração dos esforços em cadeia de valor, infraestrutura e capacitação técnica para cumprir metas e reduzir vulnerabilidade a choques externos.
O ministro apontou o aumento da produção de milho, de 2,8 para cerca de 3,5 milhões de toneladas no mesmo período, como sinal do potencial agrícola quando fornecidas as ferramentas adequadas; contudo, persiste o desafio do acesso ao financiamento para o agronegócio, requerendo instrumentos financeiros que compreendam os ciclos biológicos das aves e o risco inerente para viabilizar investimentos em produção, armazenamento e logística frigorífica.
Políticas públicas recentes incluem incentivos, restrições tarifárias e não tarifárias às importações e mecanismos para privilegiar o mercado interno, além de planos para linhas de crédito específicas e parcerias público-privadas; o Governo e associações do setor debatem criação de observatórios e mecanismos de apoio para estabilizar preços de insumos como milho e soja, com objetivo de garantir previsibilidade e sustentabilidade para produtores de frango de diferentes escalas.
Além das medidas económicas, o debate sublinha a necessidade de investimentos em energia, água e infra-estrutura de transporte para consolidar uma cadeia de frio eficiente, assim como formação de recursos humanos especializados; conferências organizadas pelo Fundo Soberano de Angola com apoio da IFC visam criar plataformas de diálogo entre Governo, produtores e investidores para transformar o setor avícola num motor de diversificação económica e geração de emprego.



