Angola e RDC reforçam cooperação estratégica

Resumo: Luanda e Kinshasa avançam em dois eixos centrais: segurança regional e exploração petrolífera conjunta. As iniciativas reforçam diálogo, investimentos e benefícios mútuos.
Pontos-chave
Angola e a República Democrática do Congo voltaram a centrar atenções na cooperação bilateral, combinando diplomacia e economia. Em Luanda, o Presidente João Lourenço recebeu um enviado especial de Félix Tshisekedi para discutir a situação securitária no leste congolês e o diálogo intercongolês, num momento em que ambos os governos procuram respostas coordenadas para a estabilidade regional.
No plano político, a visita de Floribert Isiloketsh serviu para transmitir uma mensagem de Tshisekedi e reforçar a confiança entre os dois chefes de Estado. O emissário afirmou que Kinshasa quer contar com a experiência angolana na promoção da paz, enquanto a Presidência angolana mantém disponibilidade para apoiar iniciativas que ajudem a reduzir tensões e a consolidar entendimentos duradouros.
A dimensão económica também ganhou destaque com o acordo assinado entre Angola e a RDC sobre o bloco 14/23, na Zona de Interesse Comum. A adenda ao contrato de partilha de produção pretende tornar a área mais atractiva ao investimento, acelerar a criação de valor e garantir uma exploração sustentável de recursos petrolíferos com benefícios repartidos pelos dois países.
Segundo o ministro Diamantino Azevedo, o novo instrumento fecha um longo ciclo negocial iniciado em 2003, com vários passos intermédios, incluindo memorandos, acordos comerciais e regulações da ZIC. O governante sublinhou que a parceria demonstra ser possível transformar desafios fronteiriços em oportunidades de desenvolvimento, sobretudo quando existe diálogo técnico e vontade política entre as partes.
No conjunto, os episódios mostram uma agenda comum assente em dois pilares: segurança no Leste da RDC e aprofundamento da cooperação energética. Angola procura afirmar-se como mediador regional e, ao mesmo tempo, como parceiro estratégico na exploração conjunta de petróleo. Para Luanda e Kinshasa, o objectivo é claro: estabilidade, investimento e ganhos partilhados.


