Arquivos de Angola fora do país ameaçam memória

Resumo: investigação identifica que a maioria dos arquivos sobre Angola está no exterior, sobretudo em Portugal, instituições e particulares. O projecto História Social de Angola procura resgatar e sistematizar depoimentos orais e documentos para preservar memória coletiva.
Pontos-chave
O Projecto História Social de Angola nasceu da urgência em recuperar memórias orais e documentais que estão dispersas, muitas vezes fora do país; a iniciativa pretende reunir depoimentos de gerações que viveram o período colonial tardio e a transição para a independência, cruzando relatos orais com fontes escritas para criar um arquivo vivo, acessível a investigadores e à sociedade angolana.
Os responsáveis destacam que a maioria dos arquivos relevantes para compreender a história social de Angola encontra-se em Portugal, em universidades e coleções privadas, e que existem também fundos significativos nas igrejas anglo-saxónicas dos Estados Unidos e do Canadá; essa dispersão dificulta o acesso, fragmenta a narrativa nacional e exige parcerias internacionais para repatriar conhecimento ou garantir acesso remoto.
O objetivo central do projecto é a hibridização da memória: materializar e divulgar a memória social através da colheita sistemática de depoimentos orais, da transcrição e da integração com arquivos documentais; essa abordagem visa não só alimentar a investigação académica, mas também fortalecer a identidade nacional e a compreensão pública sobre valores éticos e sociais legados de vários períodos históricos.
Para cumprir a missão, a equipa tem procurado parcerias com bases de dados internacionais, universidades e instituições religiosas detentoras de arquivos, além de promover formação em técnicas de recolha oral e conservação arquivística; o trabalho envolve sensibilização comunitária para que mais pessoas contribuam com relatos familiares e comunitários que, sem registo, correm o risco de se perder.
A publicação deste estudo e a divulgação dos seus achados procuram igualmente chamar a atenção do poder público e de financiadores para políticas de preservação do património documental e oral; sem intervenções coordenadas, parte crucial da memória social angolana continuará inacessível, comprometendo pesquisas futuras e o direito coletivo de conhecer e valorizar a própria história.



