Aumento dos fertilizantes agrava agricultura

Resumo: Escalada dos preços e bloqueios logísticos põem em risco pequenos agricultores angolanos; especialistas e importadores pedem redução da dependência externa e medidas urgentes.
Pontos-chave
O conflito no Médio Oriente e o encerramento do estreito de Ormuz provocaram perturbações nas exportações de ureia, amónia, fosfatos e enxofre, gerando um choque de oferta que já aumenta preços internacionais; Angola, com forte dependência de importações, enfrenta risco de escassez de fertilizantes e impacto direto na próxima campanha agrícola, segundo associações e importadores.
Especialistas do sector apontam que Angola importou 129.990 toneladas de fertilizantes em 2025 e que a fábrica prevista no Soyo ainda não está operacional; esta combinação de deficit de produção interna e subida dos custos logísticos torna provável que os pequenos agricultores, que sustentam mais de 80% da produção nacional, sejam os mais afetados, ressalvando a necessidade de políticas públicas.
Importadores afirmam que a procura excede a oferta e que fornecedores recusam grandes encomendas, enquanto o custo dos contentores entre a China e África subiu expressivamente; a projeção é de aumentos de preços entre 30% e 100% no próximo período, pressupondo maiores encargos para produtores e riscos de endividamento entre camponeses que dependem de fertilizantes para manter produtividade.
Técnicos agrícolas recordam que muitos solos angolanos sofrem lixiviação e exigem reposição anual de nutrientes para manter rendimento, com média de produção de milho em cerca de duas toneladas por hectare versus média mundial superior a sete; para alcançar autossuficiência é considerada a fertilização como condição sine qua non, pelo que a escassez atual coloca metas de segurança alimentar em risco.
Líderes associativos e responsáveis pela cadeia produtiva apelam à diversificação de fornecedores, incentivo à produção local e aceleração de projectos industriais nacionais; ao mesmo tempo, alertam para o perigo de priorização dos grandes produtores em detrimento da agricultura familiar, pedindo ações coordenadas do Estado e medidas para proteger pequenos agricultores e garantir acesso equitativo aos insumos essenciais.



