Banca angolana prevê corte gradual dos juros

Resumo: A banca angolana antevê uma descida gradual das taxas de juro do crédito, acompanhando a desinflação e a flexibilização monetária do BNA. O sector, porém, insiste que o custo do dinheiro depende também de risco, liquidez e custos operacionais.
Pontos-chave
A Associação Angolana de Bancos considera que a flexibilização monetária do Banco Nacional de Angola já cria condições para uma redução progressiva do preço do crédito. Com a taxa básica em 15,75% e a inflação homóloga em queda, Mário Nascimento defende que a descida dos juros pode começar a reflectir-se no financiamento às famílias e empresas.
O presidente da ABANC sublinha, contudo, que a trajetória das taxas não depende apenas do banco central ou da inflação. Entram também na equação o custo de captação de depósitos, a liquidez disponível, o risco de incumprimento, os encargos regulatórios, os impostos e a estrutura operacional de cada instituição financeira.
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Para o dirigente, a descida dos juros deve ser sustentável e diferenciada, respeitando o perfil de risco de cada cliente. A expectativa é que a política monetária menos restritiva ajude a baixar o custo de financiamento do sistema e, de forma gradual, se transmita ao consumidor e às empresas através de crédito mais barato.
A banca continua, porém, a enfrentar o desafio da baixa bancarização. Com cerca de 35% da população adulta no circuito formal, o sector ainda precisa de ampliar o acesso aos serviços financeiros, acelerar a digitalização e reforçar a inclusão. A meta oficial de 36% até 2027 exige a entrada de cerca de 1,5 milhões de novos clientes.
Sindicato e bancos convergem na ideia de que o sector está hoje mais capitalizado, regulado e digital do que há alguns anos. Ainda assim, persistem desafios como a inflação, a volatilidade cambial, o crédito malparado e a cibersegurança. A banca é vista como peça central para canalizar poupanças para investimento produtivo e apoiar a economia real.


