BNA alerta para exposição dos bancos ao Estado

Resumo: O Comité de Estabilidade Financeira do BNA mantém reservas macroprudenciais e recomenda políticas prudentes de capital e liquidez para mitigar riscos decorrentes do aumento da exposição do sector bancário ao Estado.
Pontos-chave
O Comité de Estabilidade Financeira (CEF) do Banco Nacional de Angola reuniu-se em 1 de Junho de 2026 para avaliar riscos sistémicos observados no primeiro trimestre. Durante a sessão, foram enfatizados os efeitos potenciais da crescente exposição do sector bancário ao Estado, num contexto internacional marcado por incertezas que podem amplificar riscos financeiros e não financeiros às instituições locais.
O CEF decidiu manter a Reserva de Conservação de Capital em 2,50% aplicável a todas as instituições bancárias, assim como a Reserva Contracíclica em 0% e a reserva para bancos de importância sistémica doméstica entre 1% e 2%. Estas medidas visam preservar buffers prudenciais e sustentar a resiliência do sector face a choques e à evolução da carteira de crédito.
Relatórios do primeiro trimestre apontam para resiliência do sistema: níveis adequados de capital e liquidez, crescimento contínuo da carteira de crédito à economia e melhoria da qualidade dos ativos, refletida na redução do rácio de incumprimento. O Comité sublinha a importância de reforçar mecanismos de mitigação do risco de crédito e de manutenção de políticas prudenciais nas instituições supervisionadas.
Face ao aumento da exposição ao Estado, o CEF recomenda que bancos adoptem práticas robustas de gestão de capital e de liquidez, incluindo stress tests regulares, limites internos de concentração e políticas de provisões e collateral mais conservadoras. Essas recomendações procuram reduzir vulnerabilidades e proteger a estabilidade financeira nacional contra choques fiscais ou de mercado.
O Comité alertou ainda para as incertezas da conjuntura internacional que podem afetar o sector bancário angolano e anunciou a próxima reunião para monitorar a evolução dos riscos. Analistas e supervisores devem continuar a acompanhar indicadores de solvência, liquidez e qualidade de ativos para garantir que as instituições se mantenham preparadas.



