BNA reduz reservas; crédito pode subir

Resumo: BNA reduziu o coeficiente de reservas obrigatórias para 17,5% e manteve taxas de referência; analistas esperam mais crédito ao setor privado como efeito direto desta medida.
Pontos-chave
O Banco Nacional de Angola decidiu reduzir o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 18% para 17,5%, medida aprovada na 128ª reunião do Comité de Política Monetária, realizada em Moçâmedes. Esta alteração é vista como um sinal de política monetária mais flexível, com potencial para libertar liquidez no sistema bancário e aumentar a oferta de crédito aos agentes económicos.
Especialistas e comentaristas, como José Lumbo, indicam que a redução permitirá aos bancos comerciais disponibilizar mais recursos financeiros para empresas e particulares. Apesar do reconhecimento do elevado volume de crédito mal parado, a expectativa é que os bancos revejam políticas de concessão e cobrança para mitigar riscos, priorizando operações com maior retorno e impacto no crescimento económico nacional.
Dados do BNA mostram aumento do crédito bruto ao setor não financeiro, com destaque para o setor privado, que representa mais de 85% desse endividamento. O crédito direcionado ao setor real também cresceu, impulsionado por indústrias extractivas e transformadoras. A combinação de maior liquidez e linhas de fomento pode acelerar o financiamento de projetos produtivos e investimentos privados no curto e médio prazo.
O Comité decidiu manter a taxa BNA em 17,5% e as facilidades permanentes em 18,5% (cedência) e 16,5% (absorção), indicando uma postura cautelosa sobre inflação e estabilidade de preços. Assim, a redução das reservas surge como instrumento calibrado para promover crédito sem alterar imediatamente o custo oficial do dinheiro, equilibrando estímulo e estabilidade macroeconómica.
Analistas sublinham que o efeito final dependerá da capacidade dos bancos em transformar liquidez adicional em crédito efetivo, e da evolução dos créditos malparados. Políticas complementares, supervisão e incentivos ao financiamento do setor real serão determinantes para que a redução das reservas contribua para emprego, produção e recuperação sustentada da economia angolana.
Fontes
Bancos comerciais devem liberar mais créditos após redução das reservas obrigatórias, defende economista
BNA reduz reservas obrigatórias em moeda nacional de 18% à 17,5%
BNA: Empresas e particulares estão a endividar-se mais, passando de 6,6 biliões kz em Janeiro de 2025 para 7,6 biliões kz em Janeiro de 2026



