China perde posição de maior credor de Angola

Resumo: Relatório oficial revela que, em 2025, credores internos superaram a China como principal detentor da dívida angolana; tendência acompanha redução da dívida colateralizada.
Pontos-chave
Em 2025, o perfil da dívida pública de Angola sofreu alterações relevantes: o peso dos credores externos diminuiu e os credores internos passaram a representar cerca de 28% do stock. O director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública apresentou a estratégia para 2026-2028, enfatizando a necessidade de harmonizar emissões e reduzir concentrações de vencimentos que ameaçam a sustentabilidade fiscal.
Segundo dados oficiais, a China, que detinha 34% da dívida angolana em 2020, caiu para aproximadamente 19% em 2025, recaindo à terceira posição. A redução inclui uma diminuição expressiva da dívida colateralizada ao petróleo, que caiu de 16,3 mil milhões de dólares para cerca de 7,3 mil milhões, aliviando pressões sobre as reservas e a gestão macroeconómica do país.
A estratégia de endividamento privilegia financiamento concessional, maturidades mais longas e expansão da base de investidores domésticos para estimular um mercado secundário de títulos públicos com cotações firmes. O documento sublinha também a importância da gestão cambial e da maturidade da dívida para mitigar riscos, facilitar acesso de empresas e cidadãos a títulos e reduzir vulnerabilidade a choques externos.
O Ministério das Finanças estima um stock de dívida de 64,3 biliões de kwanzas em 2026, com um endividamento líquido projetado em 4,1 biliões de kwanzas, principalmente via captação interna. Os responsáveis reconhecem que 2026 será exigente devido a elevados montantes de amortizações previstas, e reforçam metas para manter o rácio dívida/PIB numa trajetória sustentável.
Autoridades destacam ganhos de disciplina orçamental e gestão técnica como responsáveis pela melhoria dos indicadores, com exposição cambial doméstica reduzida e dívida garantida com petróleo significativamente amortizada. Analistas e gestores apontam que o foco em diversificação de credores e gestão proativa de passivos será crucial para evitar que o serviço da dívida comprometa finanças públicas e investimentos essenciais.



