CIVICOP acelera identificação das vítimas do 27 de Maio

Resumo: CIVICOP e UNITA reforçam a cooperação para localizar restos mortais, identificar vítimas do 27 de Maio e garantir entrega digna às famílias.
Pontos-chave
A CIVICOP intensificou o processo de identificação das vítimas dos conflitos políticos, com especial foco no 27 de Maio de 1977. A comissão divulgou listas provisórias e apelou às famílias para comparecerem à recolha de amostras biológicas, etapa decisiva para confirmar identidades através de testes de ADN e acelerar a entrega dos restos mortais.
Entre os nomes já em análise surgem várias mulheres e dezenas de perfis genéticos ainda sem reclamação, o que levou a CIVICOP a insistir num apelo público. A recolha pode ser feita no Laboratório Central de Criminalística, em Luanda, ou na Praça Leão XIV, reforçando o esforço técnico e documental do processo.
O membro da comissão, Manuel Halaiwa, explicou que os 32 novos perfis genéticos correspondem a pessoas com história própria e que a confirmação científica é essencial para a reconciliação. Segundo o responsável, o objetivo é evitar erros, cruzar dados laboratoriais e permitir que cada família receba informação segura sobre o paradeiro dos seus parentes.
As famílias que já receberam restos mortais descreveram momentos de alívio e dignidade após décadas de incerteza. Alguns familiares relataram que finalmente podem fazer um enterro condigno, enquanto outros disseram sentir reconforto por saber onde estão os seus entes queridos. O processo tem sido visto como um gesto de reparação histórica.
No mesmo contexto, a UNITA afirmou estar disponível para colaborar com a CIVICOP na localização dos restos mortais de António Sebastião Dembo e de outros dirigentes. O partido reconhece dificuldades causadas pelo tempo decorrido e pela perda de testemunhas, mas defende apoio do Executivo para concluir diligências de memória e reconciliação nacional.


