CNT rejeita regresso da Guiné-Bissau à CPLP
Por TopAngola ·

Resumo:
O Conselho Nacional de Transição da Guiné-Bissau anunciou que não pretende regressar à CPLP, criticando a sua atuação e rejeitando ingerência externa. Declaração reafirma soberania e autonomia nas decisões políticas.
Pontos-chave:
O Conselho Nacional de Transição (CNT) divulgou um comunicado em Bissau no qual afirma que a Guiné-Bissau não tem interesse em regressar à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O documento, lido pelo porta‑voz Fernando Vaz, sublinha que as decisões sobre o futuro do país devem ser tomadas internamente, sem condicionamentos externos, com ênfase na soberania nacional conquistada pela luta histórica.
No texto, o CNT critica a atuação da CPLP, considerando algumas decisões anteriores como pouco consensuais e mesmo abusivas. O órgão sustenta que a suspensão do país foi aplicada sem respeitar mecanismos estatutários de consenso, e que qualquer reavaliação não pode traduzir‑se em paternalismo externo. A nota salienta que a Guiné‑Bissau manterá independência nas suas escolhas políticas e institucionais, rejeitando tutelas.
Além de apontar falhas nos processos decisórios da CPLP, o comunicado aborda a questão do financiamento eleitoral, afirmando que as últimas eleições foram majoritariamente suportadas pelo Orçamento Geral do Estado. O CNT defende que futuras eleições também serão organizadas e financiadas nacionalmente, demonstrando capacidade institucional e recusa de condicionamentos financeiros ou políticos por parte de atores externos, sobretudo de estados que pretendam influenciar.
Reagindo a declarações de responsáveis portugueses sobre reavaliação da suspensão, o Conselho Nacional de Transição acusa Portugal de tentativa de ingerência e de adotar uma postura paternalista. O comunicado insiste que a dignidade e independência do povo guineense não dependem de validação de organismos internacionais e que quaisquer intervenções estrangeiras serão vistas como inaceitáveis, mantendo sempre o princípio da autodeterminação e da autoridade das instituições locais.
O CNT conclui reafirmando que todas as decisões relativas ao percurso político da Guiné‑Bissau competem exclusivamente às instituições nacionais e ao povo guineense. O comunicado sublinha ainda que o país seguirá o seu próprio caminho político e institucional, com base em princípios de soberania e independência, e que não aceitará imposições que possam comprometer o seu processo de reconciliação e estabilidade interna.


