Condenações no Caso AGT: Penas até 9 anos

Resumo: Tribunal da Comarca de Luanda condenou a maioria dos arguidos do chamado 'Caso AGT' a penas entre três e nove anos por peculato, lavagem de dinheiro e fraude fiscal, com indemnizações e recursos em curso.
Pontos-chave
O colectivo de juízes do Tribunal da Comarca de Luanda aplicou, nesta fase, penas que variam entre três e nove anos a diversos altos quadros da Administração Geral Tributária. Em vários casos as condenações resultaram de crimes como peculato, falsidade informática e branqueamento de capitais, enquanto algumas absolvições ocorreram por insuficiência de provas apresentadas durante o julgamento.
O tribunal considerou provado um esquema de cobranças ilegais a empresas e reembolsos indevidos de IVA que, segundo a decisão, causou um prejuízo ao Estado avaliado em 13,5 mil milhões de kwanzas. Em cúmulo jurídico foram acumuladas penas, levando a condenações mais longas para figuras-chave, embora o Ministério Público tivesse inicialmente apontado valores superiores não confirmados pelo acórdão.
Alguns arguidos viram penas suspensas e outros foram totalmente absolvidos por falta de prova em crimes de associação criminosa. A decisão incluiu ainda a condenação de entidades colectivas por fraude fiscal e o pagamento solidário de indemnizações que totalizam milhares de milhões de kwanzas, refletindo a complexidade financeira e administrativa do caso e as consequências económicas para o erário público.
A defesa já anunciou recurso com efeito suspensivo para várias das condenações, buscando reverter as penas e obter absolvições em instâncias superiores. Advogados salientaram reduções de acusações em relação à acusação inicial e apontaram contradições em depoimentos de testemunhas-chave, como o presidente do conselho da AGT, cujas declarações foram parcialmente desvalorizadas pelo tribunal.
O acórdão marca um momento decisivo num processo mediático que expõe fragilidades institucionais e práticas irregulares na burocracia fiscal. Analistas jurídicos destacam que os recursos e as contestações técnicas sobre provas e valores poderão prolongar o litígio, enquanto a execução das indemnizações e o impacto nas finanças públicas permanecem sob escrutínio e debate público.
Fontes
Quadros da AGT de Angola condenados entre 3 a 9 anos de prisão efectiva por crimes de peculato e recebimento indevido de vantagem
AGT: Tribunal condena funcionários e defesa elabora recurso
Caso AGT/2025: Tribunal reduziu drasticamente valor da fraude apontado pelo MP
Tribunal Supremo condena maioria dos arguidos do “Caso AGT” a penas de até 9 anos



