Crédito à economia angolana acelera

Resumo: O crédito à economia angolana avançou em maio, com forte peso do sector privado e do Aviso 10 do BNA. Os dados apontam mais financiamento, mas também persistem desequilíbrios e dependência de dívida pública.
Pontos-chave
Em maio, o crédito bruto ao sector não financeiro em Angola continuou a crescer e atingiu novos máximos, segundo dados do BNA e da imprensa económica. O avanço foi impulsionado sobretudo pelo sector privado, que manteve a maior fatia do endividamento total, refletindo a procura contínua por financiamento numa economia ainda muito dependente da intermediação bancária.
Os números mostram que o stock de crédito à economia, em moeda nacional, chegou aos 7,3 biliões de kwanzas, enquanto o crédito bruto ao sector não financeiro rondou os 8,9 biliões. Face a maio de 2025, o crescimento situou-se em 14,1% no crédito bruto e em 16% no financiamento à economia, confirmando a expansão.
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Dentro da estrutura do endividamento, o sector privado respondeu por 84,6% do total, com empresas e particulares a concentrarem a maior parte dos empréstimos. Já o sector público não financeiro representou cerca de 14,4%, com a administração pública e as empresas públicas a absorverem uma parcela menor, embora ainda relevante, do financiamento disponível no sistema.
O crédito ao sector real da economia, mais ligado à produção de bens e serviços, totalizou 1,9 biliões de kwanzas e cresceu 21,4% no período. A indústria extrativa liderou a expansão, seguida da indústria transformadora e da agricultura, num sinal de que o financiamento começa a acompanhar atividades produtivas com maior impacto na oferta interna.
O destaque político-regulatório continua a ser o Aviso 10 do BNA, que já responde por cerca de 70% do crédito às sociedades não financeiras. Embora tenha barateado o financiamento e apoiado a produção nacional, o modelo também expõe limites estruturais, como morosidade judicial, problemas fundiários e preferência dos bancos por dívida soberana.
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