Crise e contrabando de combustíveis em Moçambique

Resumo: A combinação de escassez de moeda estrangeira e falência de distribuidores agravou a crise de combustíveis, levando a apreensões e longas filas. Autoridades investigam contrabando e insolvência do setor.
Pontos-chave
As autoridades moçambicanas registaram uma crise complexa no abastecimento de combustíveis que resulta de factores financeiros, logísticos e geopolíticos; o Banco de Moçambique explicou que a falta de dólares e a insolvência de distribuidores impediram a emissão de garantias para importação, enquanto a população enfrenta longas filas e racionamentos em postos de abastecimento, gerando protestos e preocupações económicas locais.
Em paralelo, a polícia realizou operações de fiscalização e apreendeu um camião que transportava cerca de 40 mil litros de combustível suspeitos de contrabando para a vizinha África do Sul; durante a ação foram encontradas chapas de matrícula sul-africanas no veículo, o motorista foi detido e as autoridades mobilizaram polícia, alfândega, serviço de investigação criminal e migração para apurar a origem e a legalidade da carga.
O governo já tinha aumentado os preços dos combustíveis em meados de maio, com subida expressiva do gasóleo e da gasolina, o que agravou a capacidade financeira de postos e distribuidores; segundo o governador do Banco de Moçambique, muitas empresas não dispõem de meticais para operar e dependem de garantias em dólares que actualmente são mais difíceis de obter por causa da instabilidade cambial e de cadeias de abastecimento.
Analistas apontam também para impactos geopolíticos além das fronteiras: o conflito no Médio Oriente e o encerramento temporário de rotas como o Estreito de Ormuz reduziram a disponibilidade global de petróleo e pressionaram preços internacionais, amplificando os efeitos locais; cerca de 80% das importações de combustíveis do país passam por rotas ligadas ao Estreito, tornando Moçambique vulnerável a choques externos.
As autoridades apelam à colaboração das comunidades e prometem investigações para identificar proprietários de veículos e empresas envolvidas no transporte irregular; medidas combinadas de fiscalização, apoio à liquidez do setor e reforço das garantias bancárias são apontadas como necessárias para normalizar o abastecimento e reduzir incentivos ao contrabando e práticas ilícitas.



