Desmantelado estaleiro de mineração ilegal

Resumo: Operação policial desmantelou um vasto estaleiro clandestino de mineração de criptomoedas em Luanda, com detenções e apreensão de equipamentos. Investiga-se ligação a redes internacionais e impacto no consumo eléctrico.
Pontos-chave
Em 17 de fevereiro de 2026, uma operação do Serviço de Investigação Criminal (SIC) culminou no encerramento de um estaleiro clandestino de mineração de criptomoedas nas imediações do Museu da Escravatura, em Belas, Luanda. A ação envolveu buscas, controlo do perímetro e a detenção de dezenas de envolvidos enquanto as equipas documentavam a infraestrutura tecnológica descoberta.
As autoridades descreveram a instalação como um conjunto de grande dimensão equipado com mais de dois mil processadores específicos para mineração, um posto de transformação de elevada capacidade ligado à rede pública e diversos acessórios como cabos, ventoinhas e placas. O SIC realçou que a infraestrutura estava preparada para operar em escala, gerando consumo energético anómalo e riscos para a rede local.
Durante a operação foram detidas dez pessoas, incluindo dois cidadãos de nacionalidade chinesa e oito angolanos, identificados como diretamente envolvidos na montagem, transporte e manutenção dos equipamentos. O porta‑voz Manuel Halaiwa referiu que o local era estrategicamente escolhido por ter ligação à rede pública e por estar protegido por acessos controlados, dificultando a intervenção e fiscalização prévias.
As equipas apreenderam também cinco veículos utilizados na logística do estaleiro além dos milhares de processadores, o que segundo o SIC apontava para uma estrutura organizada e de elevado investimento. Estimativas preliminares apresentadas pelas autoridades indicavam lucros mensais potenciais substanciais caso a operação tivesse entrado em funcionamento plena, o que agravaria o impacto económico e energético.
A mineração de criptomoedas foi proibida em Angola por legislação de 2024, com o objetivo de proteger o sistema financeiro e a segurança energética. Este é o segundo caso divulgado este ano pelo SIC, seguindo‑se a um outro estaleiro com mais de 1.500 processadores, evidenciando uma tendência de operações clandestinas em instalações industriais e periurbanas.



