Ébola na RDC avança em ritmo alarmante

Resumo: A OMS alerta que o surto de Ébola na RDC cresce mais depressa do que episódios anteriores e pode ultrapassar a crise da África Ocidental. Os casos já se espalham por várias províncias, com mortes a ocorrer sobretudo nas comunidades.
Pontos-chave
A Organização Mundial da Saúde voltou a soar o alarme sobre o surto de Ébola na República Democrática do Congo, afirmando que a transmissão está a ocorrer a um ritmo preocupante e superior ao de surtos anteriores. Tedros Adhanom Ghebreyesus destacou a gravidade da situação após reunir-se com as autoridades congolesas.
Os números mais recentes apontam para milhares de casos e mais de duas mil mortes, com a doença já distribuída por várias províncias e dezenas de zonas de saúde. Para a OMS, o maior motivo de preocupação é o elevado número de óbitos ocorridos fora das unidades de tratamento.
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As autoridades sanitárias sublinham que muitos doentes não estavam identificados como contactos conhecidos, o que dificulta o rastreio e o isolamento rápido. Além disso, parte da circulação do vírus terá acontecido de forma silenciosa durante semanas, antes da declaração formal do surto, agravando a resposta inicial.
Outro obstáculo importante é a estirpe Bundibugyo, associada a este surto, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados especificamente. Mesmo assim, decorrem ensaios clínicos com potenciais terapias e testes a vacinas experimentais, numa tentativa de travar a propagação antes que atinja dimensão histórica.
A OMS acredita que ainda é possível inverter a trajectória em poucos meses, embora admita que o fim da epidemia não será imediato. O alerta regional cresce à medida que o surto se expande para novas províncias, reforçando o receio de que venha a tornar-se o mais mortal da história da doença.


