Ébola na RDC: surto pode ser mais antigo

Resumo: Estudos e dados oficiais sugerem que a epidemia de Ébola no leste da RDC começou antes do declarado, enquanto a resposta continua travada por violência, atraso no rastreio e fraca cobertura sanitária.
Pontos-chave
O surto de Ébola no leste da RDCongo pode ser mais antigo do que a data oficial indica. Um estudo para a OMS aponta sinais de circulação do vírus Bundibugyo já em Janeiro, meses antes da declaração de 15 de Maio, o que pode ajudar a explicar a velocidade incomum da propagação.
Os números continuam a agravar-se: as autoridades falam em 3.802 casos e 1.707 mortes, enquanto organizações internacionais mantêm a vigilância sobre milhares de contactos. O Africa CDC insiste que quase 80% dos novos casos resultam de transmissão comunitária, sinal de que o rastreio ainda falha em várias zonas.
A província de Ituri concentra quase 90% dos casos, mas há infecções noutros pontos do país, incluindo Kisangani. A dispersão do vírus é dificultada por estradas precárias, acesso limitado às aldeias e atrasos no diagnóstico, num território onde a rede de saúde é frágil e a resposta chega tarde.
A violência armada e a desconfiança de algumas comunidades também travam a contenção. Profissionais de saúde relatam agressões, salários em atraso e condições perigosas de trabalho, enquanto muitos doentes recorrem a curandeiros em vez de unidades oficiais. Essa combinação aumenta o risco de contágio e complica o tratamento.
Sem vacina ou tratamento aprovados para a estirpe Bundibugyo, as autoridades dependem de isolamento, rastreio e campanhas de prevenção. A OMS e o Africa CDC reforçam a presença no terreno, mas admitem que o verdadeiro alcance da epidemia pode ainda estar subestimado em regiões remotas da RDCongo.


