Queda e concentração nas exportações para Angola

Resumo: O número de exportadores portugueses para Angola caiu desde 2021, com forte concentração das vendas em poucas empresas. Apesar disso, as exportações cresceram no arranque de 2026.
Pontos-chave
Entre 2021 e 2025, o mercado angolano perdeu fôlego para os exportadores portugueses: o número de empresas caiu de 4.225 para 3.512. Angola deixou também de ser o quinto destino para passar ao sétimo, embora continue a representar uma fatia relevante do comércio externo português e a concentrar milhares de empresas dependentes desse mercado.
Os dados mostram uma forte concentração das vendas. Apenas 200 empresas fizeram 72% das exportações para Angola em 2025, com 11 a assegurarem 24,4% do total e outras 189 a responderem por 47,6%. Ao mesmo tempo, 2.950 empresas, ou 84% dos exportadores, realizaram só 26,7% do valor exportado.
A dependência do mercado angolano mantém-se elevada para muitas firmas portuguesas: 2.020 empresas concentram em Angola mais de três quartos das vendas externas e 1.635 exportam exclusivamente para este destino. Em 2025, as exportações portuguesas de bens para Angola atingiram 1.090,8 milhões de euros, com saldo amplamente favorável a Portugal.
Do lado português, as máquinas e aparelhos lideraram as vendas para Angola, seguidos pelos químicos, produtos alimentares e metais comuns. Entre os produtos mais relevantes estiveram ainda os vinhos, os medicamentos e os instrumentos médicos. Nas importações, os combustíveis minerais dominaram, sobretudo o petróleo bruto, elevando as compras portuguesas a 233,6 milhões de euros.
No arranque de 2026 surgiu algum alívio: as exportações portuguesas para Angola subiram 9% nos primeiros quatro meses, para 361,4 milhões de euros. Já as importações caíram 83,2%, para 13,9 milhões, sem registo de combustíveis minerais. Ainda assim, Portugal manteve-se como segundo maior fornecedor de Angola no ano anterior.
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