Inflação em Angola recua para 14,56%

Resumo: IPCN regista queda para 14,56% em janeiro de 2026, refletindo desaceleração sustentada mas pressões persistentes em alimentação e transportes. Tendência exige medidas estruturais complementares.
Pontos-chave
O Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) registou uma variação homóloga de 14,56% em janeiro de 2026, representando uma descida de 1,13 pontos percentuais face ao mês anterior. Esta leitura sinaliza uma trajectória de desaceleração após o pico de 2025, mas evidencia que a inflação ainda permanece elevada e sensível a choques externos e custos administrativos.
A componente de Alimentação e bebidas não alcoólicas foi a principal responsável pelo aumento dos preços, respondendo por aproximadamente 62% da variação total e contribuindo com 9,04 pontos percentuais. Este padrão reflete dependência de importações, custos logísticos e limitações na produção agrícola interna, fatores que mantêm a pressão sobre o poder de compra das famílias.
Outras classes relevantes foram Transportes (variação homóloga de 19,07%), Habitação, água, electricidade e combustíveis (16,60%) e Saúde (15,92%). Estas subidas indicam impacto combinado de ajustes tarifários, custos energéticos e apreciação do efeito cambial sobre bens e serviços essenciais, exigindo resposta coordenada de política económica.
A leitura regional mostra assimetrias pronunciadas: Cabinda com 23,12% lidera o ranking, enquanto Huambo (12,57%), Zaire (12,93%) e Cuando Cubango (13,11%) apresentam variações mais moderadas. Luanda manteve-se acima da média nacional com 15,35%, refletindo dinâmica de procura e custos urbanos, mas já não lidera as maiores taxas provinciais.
Em síntese, a desaceleração resulta sobretudo de factores monetários e cambiais — política restritiva e estabilização do kwanza — mais do que de ganhos estruturais na economia real. Sem avanços em produção interna, logística e concorrência, a trajetória de desinflação continuará vulnerável, tornando crucial combinação de políticas monetárias, fiscais e incentivos à oferta.



