Inflação angolana volta a um dígito

Resumo: A inflação em Angola caiu para 9,33% em Julho, abaixo dos 10% pela primeira vez em 12 anos. O recuo reflete 24 meses de desaceleração e pressiona a revisão das projeções oficiais.
Pontos-chave
Em Julho, a inflação homóloga em Angola fixou-se em 9,33%, interrompendo 12 anos de leituras acima de um dígito. O recuo face a Junho foi de 0,78 pontos percentuais e, na comparação anual, a queda atingiu 10,15 pontos. O resultado confirma uma tendência de desaceleração sustentada ao longo dos últimos 24 meses.
Os dados do INE mostram que a classe Educação liderou as subidas, com variação homóloga de 25,24%. Seguiram-se Alimentação e bebidas não alcoólicas com 10,40%, Habitação, água, electricidade e combustíveis com 10,17% e Saúde com 10,16%. Ainda assim, a alimentação foi a que mais pesou no índice geral.
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No contributo para o aumento mensal, Alimentação e bebidas não alcoólicas respondeu por 6,30 pontos percentuais. Depois vieram Educação com 0,47, Bens e serviços diversos com 0,46 e Saúde com 0,44. As restantes classes tiveram impacto inferior, mostrando que a pressão inflacionária está mais concentrada em alguns grupos essenciais.
A evolução não foi igual em todo o território. Cabinda registou a maior variação, com 13,09%, seguida de Malanje com 12,01% e Lunda Sul com 11,40%. No extremo oposto, Cuanza Norte, Huambo e Cunene apresentaram as menores taxas, todas já em terreno de um dígito e abaixo da média nacional.
Economistas citados e analistas do mercado veem no número um sinal de estabilização macroeconómica, ajudado pela maior produção interna e pela estabilidade cambial. O BNA já reviu em baixa a inflação esperada para 2026, apontando para 8,6%. O desafio, agora, é transformar a descida dos preços em mais poder de compra para as famílias.


