Kwanza integrado no SADC-RTGS

Resumo: Banco Nacional de Angola anuncia integração do kwanza no sistema regional SADC-RTGS para facilitar pagamentos transfronteiriços e impulsionar o comércio. Economistas alertam para desafios de competitividade das empresas nacionais.
Pontos-chave
O Banco Nacional de Angola anunciou a integração do kwanza como moeda de liquidação no Sistema de Pagamentos em Tempo Real da SADC, prevista para o segundo semestre de 2026, uma iniciativa que visa reduzir a dependência de moedas estrangeiras e acelerar transferências. Esta medida pode reduzir custos e aumentar a rapidez das transacções regionais, favorecendo negócios angolanos com parceiros vizinhos.
Durante a conferência organizada pela revista Economia e Mercado, o governador Manuel Tiago Dias destacou avanços regulatórios e tecnológicos, incluindo normas IAS/IFRS, funções de compliance e plataformas de pagamentos instantâneos como o Kwik. Segundo o BNA, essas reformas aumentam transparência e confiança no sistema financeiro, preparando o país para integrar-se com maior segurança aos mecanismos de pagamentos regionais da SADC.
Analistas e economistas consideram a integração um passo estratégico, mas salientam riscos associados à fraca competitividade dos produtos angolanos no mercado regional. Heitor Carvalho, do CINVESTEC, lembra experiências passadas e alerta que sem aumento da capacidade produtiva e industrial do país poderá haver saída líquida de divisas em desfavor da economia nacional e pouca participação angolana nas cadeias de valor regionais.
Em termos práticos, a adesão permitirá que empresas angolanas negociem directamente em kwanza com parceiros da África Austral, potencialmente reduzindo custos de câmbio e tempo de liquidação, o que favorece pequenas e médias empresas. No entanto, especialistas recomendam políticas complementares de apoio à produção, inovação e competitividade, para que a utilização do kwanza contribua efetivamente para ganhos de comércio e desenvolvimento sustentável.
O anúncio surge num contexto de reforço das capacidades institucionais e combate ao branqueamento de capitais, com criação de unidades de informação financeira e mecanismos de governação corporativa mais robustos. Para maximizar os benefícios da integração, o BNA e o setor privado devem coordenar programas de formação, investimentos em tecnologia e estratégias de promoção de exportações para ampliar a presença angolana na SADC.



