Julgamento de supostos espiões russos em Luanda

Resumo: Começou em Luanda o julgamento de quatro arguidos, dois russos e dois angolanos, acusados de espionagem, terrorismo e financiamento. Processo promete impacto político e judicial no país.
Pontos-chave
Em 24 de março de 2026, no Tribunal Provincial de Luanda, teve início o julgamento de quatro arguidos — dois cidadãos russos e dois angolanos — acusados de crimes como espionagem, terrorismo e financiamento ao terrorismo. A acusação alega ligação a uma rede internacional e intenção de desestabilizar o regime angolano, levantando questões de segurança nacional e influência estrangeira.
Segundo o Ministério Público, o grupo estaria a planear ações de desinformação e guerra cibernética para influenciar a cena política. A denúncia inclui acusação de promoção de mudanças internas e favorecimento de forças de oposição, aponta a peça acusatória, que descreve um conjunto amplo de crimes e a existência de um plano estratégico para captar apoios e ativos económicos.
Entre os arguidos figuram um jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA) e um dirigente juvenil da UNITA, bem como dois russos identificados pelas autoridades. Os defensores contestam excessos na prisão preventiva e pedem a oitiva de figuras políticas e testemunhas para demonstrar fragilidades na acusação, anunciando uma fase processual tensa e controvérsia pública.
O sindicato dos jornalistas e vozes familiares negam a natureza profissional das ações imputadas ao jornalista, defendendo que o trabalho se limitava a entrevistas e produção de conteúdos informativos. A defesa alega perseguição política e pede imparcialidade judicial, enquanto o Ministério Público sustenta que há elementos que ligam os arguidos a financiamentos e operações de influência.
As sessões iniciais foram marcadas por questões prévias, pedidos de testemunhas e solicitações de adiamento, com o julgamento suspenso até nova data para análise das questões levantadas. O processo deve marcar a agenda política e judicial em Angola nas próximas semanas, com repercussões sobre liberdade de imprensa, segurança nacional e relações internacionais.



