Kopelipa e Dino revelam esquema com Manuel Vicente

Resumo: Dino e Kopelipa negam desvios na CIF e atribuem a Manuel Vicente a coordenação das operações financeiras; o caso inclui peculato e branqueamento.
Pontos-chave
Em 4 de junho de 2025, em Luanda, teve início o julgamento contra o general Leopoldino Fragoso ‘Dino’ e Manuel Hélder Vieira Dias Júnior ‘Kopelipa’, acusados de peculato, burla por defraudação e branqueamento de capitais no âmbito de contratos com a China International Fund (CIF) e a Sonangol, durante vários anos, que teriam desviado centenas de milhões de dólares do erário público angolano.
Leopoldino Fragoso ‘Dino’ afirmou ter participado apenas de forma técnica na reestruturação de projetos da CIF a pedido da Casa de Segurança do Presidente e negou qualquer envolvimento na criação de empresas ou na gestão dos bens que depois foram transferidos ao Estado. Ele declarou que, em 2016, viajou a Singapura em delegação coordenada por Manuel Vicente para avaliar projetos abandonados, sem poderes decisórios sobre ativos corporativos.
Manuel Hélder Vieira Dias Júnior ‘Kopelipa’ destacou que não houve prejuízo ao Estado nas obras do Gabinete de Reconstrução Nacional, negou envolvimento em esquema de desfalque no projeto Vida Pacifica e afirmou ter acatado orientação do então vice-presidente Manuel Vicente para entregar 60% das ações de empresas ao Estado, após pedido do Procurador-Geral, garantindo ter agido com estrita legalidade e vigilância.
Embora Manuel Vicente não figure formalmente como arguido no processo principal, seu nome é citado repetidamente como coordenador das relações entre Angola e a CIF e na negociação de contratos com as subsidiárias Plansmart International, Utter Right International e China Sonangol International, e contra ele tramita investigação criminal separada por alegada conspiração, falsificação de documentos e abuso de poder em operações financeiras.
Especialistas em direito e política avaliam que, apesar de tentativas da defesa em argumentar nulidades e politizar o caso, a Justiça angolana dispõe de provas documentais e testemunhais robustas para sustentar acusações de peculato, tráfico de influência e lavagem de capitais, minimizando possíveis impactos políticos do julgamento e justificando a restrição temporária de acesso da imprensa durante interrogatórios judiciais sensíveis.
Fontes
Dino, Kopelipa, Manuel Vicente… MPLA
Afirmação do General Kopelipa dificilmente pode transformar processo jurídico em político, defende especialista
“Kopelipa” rejeita que Angola tenha sido lesada por actos do Gabinete de Reconstrução
General “Kopelipa” afirma que não teve a ver com desfalque de vários milhões de dólares do Estado
Caso "Kopelipa": General aponta Manuel Vicente como responsável pelas operações financeiras entre o Estado e a CIF
Kopelipa aponta Manuel Vicente como responsável por pagamentos à CIF



