CPLP e a Queda na Liberdade de Imprensa

Resumo: Relatório de 2026 da RSF revela retrocessos na liberdade de imprensa na CPLP: Angola pior classificada, subidas pontuais e censura persistente.
Pontos-chave
O relatório de 2026 da Repórteres Sem Fronteiras evidencia um contexto preocupante para a liberdade de imprensa na comunidade lusófona; Angola aparece como o país com pior resultado entre os membros da CPLP, ocupando o 109.º lugar, e as mudanças de posição demonstram tanto avanços pontuais como retrocessos significativos face a 2025, refletindo pressões políticas e censura.
Cabo Verde, embora reconhecido por oferecer um ambiente relativamente favorável ao trabalho jornalístico e protegido pela Constituição, sofreu uma queda de dez lugares, o que a RSF atribui em parte à nomeação direta pelos governos dos diretores dos meios estatais; controle estatal sobre nomes-chave continua a influenciar o pluralismo e a independência editorial.
Guiné-Bissau e Guiné Equatorial subiram no ranking, mas a RSF sublinha que esse aparente progresso não elimina práticas de controlo da informação, ameaças e agressões a profissionais; na Guiné Equatorial, a ausência de meios independentes e a possibilidade de demissões por não conformidade com a censura oficial permanecem como indicadores de um ambiente hostil ao jornalismo.
No conjunto lusófono há variações: Moçambique subiu duas posições (agora 99.º), o Brasil melhorou substancialmente para 52.º, e Timor-Leste subiu para 30.º; contudo, a análise global aponta que a liberdade de imprensa está no nível mais baixo em 25 anos, com a criminalização do jornalismo a pesar decisivamente sobre a segurança dos jornalistas.
A RSF também destaca tendências regionais mais amplas, como a queda acentuada do Níger e o lugar extremo da Eritreia no final do ranking global; analistas citam ataques a jornalistas, controles por juntas militares e grupos armados como causas estruturais que, conjugadas com práticas estatais de censura, fragilizam ainda mais o ecossistema informativo na CPLP e além.



