Polícia e UNITA em choque no Uíge

Resumo: A Polícia Nacional e a UNITA trocam acusações sobre os confrontos no Uíge, enquanto surgem queixas-crime, pedidos de investigação independente e apelos à contenção política.
Pontos-chave
Os confrontos no Uíge voltaram a expor a tensão entre a Polícia Nacional e a UNITA, depois de uma manifestação política terminar em denúncias de violência, desacatos e detenções. A corporação afirma ter atuado para repor a ordem pública, enquanto a oposição sustenta que os seus militantes foram atacados de forma injustificada e com motivações políticas.
A Polícia diz ter assegurado 442 manifestações nos últimos 12 meses, sublinhando que cerca de 14% acabaram em episódios violentos. Orlando Bernardo rejeita qualquer parcialidade partidária e afirma que a instituição usa a força apenas quando há risco para a ordem. O comando policial insiste que cumpriu os protocolos adequados no caso do Uíge.
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A UNITA contesta essa versão e fala em comportamento parcial das forças policiais, alegando agressões contra militantes, mulheres e crianças durante a preparação de um comício. Arlete Chimbinda afirmou que o partido apresentou queixa-crime contra as chefias policiais e o governador do Uíge, apontando também a invasão do secretariado provincial sem mandado judicial.
No centro da disputa está ainda a leitura política dos acontecimentos, com a oposição a acusar o poder de instrumentalizar a polícia e a Presidência da República de permanecer em silêncio. A UNITA diz ter comunicado os factos a mecanismos internacionais e pede celeridade nos tribunais para apurar responsabilidades civis e criminais.
O caso reabriu o debate sobre o direito à manifestação, a neutralidade das instituições e a convivência democrática em Angola. Enquanto a Polícia Nacional promete continuar a agir dentro da lei, os partidos da oposição insistem em investigações independentes. A polémica no Uíge tornou-se, assim, um novo teste à estabilidade política e à confiança pública.


