PROPRIV: Resultados e desafios 2025

Resumo: Resumo dos avanços e lacunas do Programa de Privatizações (PROPRIV) em 2025: receitas parcialmente realizadas e desafios para concluir vendas e garantir impacto estrutural.
Pontos-chave
Em 2025, o PROPRIV contratualizou mais de um bilião de kwanzas, mas apenas cerca de 700 mil milhões foram efetivamente arrecadados, ficando um montante substancial por receber; essa realidade revela tensão entre metas fiscais e a capacidade de execução financeira dos investidores, exigindo mecanismos claros de acompanhamento e garantias para assegurar pagamentos nos prazos acordados.
O programa promoveu a transferência de 121 dos 170 activos previstos, gerando criação e manutenção de postos de trabalho, incluindo cerca de 1.400 empregos ligados a uma nova fábrica de montagem de viaturas em Icolo e Bengo; contudo, para muitos especialistas, esses efeitos ainda não configuram uma transformação estrutural na diversificação produtiva e competitividade do mercado angolano.
Autoridades anunciaram operações sensíveis iminentes, como privatizações via mercado de capitais do Standard Bank e da Unitel previstas para o primeiro semestre; essas vendas podem redefinir o equilíbrio nos sectores financeiro e das telecomunicações, pelo que é essencial garantir transparência, calendarização rigorosa e condições que promovam concorrência e acessibilidade de crédito para consolidar os benefícios esperados do programa.
Economistas, como José Lumbo, alertam que a execução do PROPRIV tem sido orientada por necessidades fiscais mais do que por uma estratégia económica integrada; segundo essa visão, é necessário realinhar os parâmetros do processo, planejar privatizações com objetivos claros de mercado e criar um ambiente de negócios que favoreça investimento produtivo e financiamento acessível para novos operadores privados.
Com o encerramento previsto para o final de 2026, restam 49 activos para alienação, pelo que o Governo deve priorizar transparência, cumprimento de calendários de pagamento e medidas de acompanhamento pós-privatização; sem essas ações, a materialização total das receitas e os ganhos esperados em emprego e eficiência poderão ficar aquém do prometido, exigindo ajustes de governação e incentivos para investidores.



