RDC reforça resposta ao ébola em Ituri

Resumo: A RDC enfrenta um surto de ébola na província de Ituri, com hospitais quase cheios e novos testes clínicos prestes a começar em Bunia. As autoridades tentam conter a propagação enquanto recorrem a medicamentos experimentais.
Pontos-chave
Na província de Ituri, a República Democrática do Congo vive um novo surto de ébola que levou as autoridades sanitárias a preparar ensaios clínicos com dois medicamentos experimentais em Bunia. O CDC África alerta que 95% das camas hospitalares estão ocupadas, o que mostra a pressão extrema sobre o sistema de saúde local.
O surto é provocado pela estirpe Bundibugyo, conhecida por uma taxa de letalidade entre 30% e 50%. Segundo a OMS, não existe vacina nem tratamento específico autorizado, e o risco de propagação é considerado elevado na África Subsariana, sobretudo porque o foco atinge zonas remotas e áreas marcadas por conflito.
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Entre os tratamentos em teste estão o MBP134 e o antiviral remdesivir, cujas reservas já chegaram ao país. As equipas médicas esperam que estes fármacos ajudem a travar a epidemia, que já se espalhou para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, aumentando a preocupação das autoridades regionais.
A ameaça não se limita à RDC. No Uganda, país vizinho, foram confirmados 20 casos e duas mortes, enquanto em França surgiu o primeiro caso positivo na Europa, num médico humanitário regressado de missão. Estes episódios reforçam a vigilância internacional e a necessidade de rastreio rigoroso de contactos.
Para reduzir a circulação do vírus, o Governo congolês decretou quarentena de 21 dias para quem viaje de zonas afectadas. A medida procura facilitar o rastreio e cortar cadeias de transmissão. O episódio lembra que o ébola continua a ser uma emergência regional séria, com potencial de ultrapassar fronteiras.
O historial da doença ajuda a explicar a urgência. Esta é já a terceira pior epidemia de ébola registada, atrás do grande surto da África Ocidental entre 2014 e 2016. O vírus passa por contacto directo com fluidos corporais e pode causar febre hemorrágica, vómitos, diarreia e hemorragias internas.


