Julgamento de Kabila adiado a 19 de Setembro

Resumo: O Tribunal da RDC adia veredicto de Joseph Kabila para 19 de Setembro após novas evidências de conspiração com o M23. Ele enfrenta pena de morte.
Pontos-chave
Em 14 de setembro de 2025, o Tribunal Militar da RDC adiou o veredicto de Joseph Kabila, marcando nova audiência para 19 de Setembro. A medida surpreendeu setores da imprensa local, que relatam uma reviravolta de última hora. Juízes optaram por avaliar documentos adicionais e depoimentos antes de decidir sobre a pena que pode chegar à condenação máxima no caso de crimes de guerra.
O ex-presidente é acusado de conspiração com o grupo paramilitar M23, supostamente financiado por Ruanda, em operações que teriam resultado em violações graves dos direitos humanos. Além disso, as autoridades pediram o reclassificação das acusações de traição para espionagem, questionando a nacionalidade de Kabila e seu suposto envolvimento direto no envio de recursos para apoiar as ações do M23 nas províncias orientais.
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Advogados do Estado apresentaram novas evidências, incluindo depoimentos de testemunhas que afirmam ligar Kabila a contas bancárias internacionais usadas para custear atividades do M23. Eles solicitaram análise aprofundada desses dados, o que levou o tribunal a suspender temporariamente o julgamento. O objetivo é garantir que todas as provas sejam devidamente verificadas antes da decisão final, respeitando o devido processo legal no caso de grande repercussão.
O analista em Relações Internacionais, Adalberto Malú, avaliou que o adiamento pode intensificar a tensão política na região. Para ele, a manobra judicial reflete interesses do atual governo em neutralizar adversários históricos. Malú destacou o risco de agravamento de conflitos em áreas de fronteira e a importância de observadores independentes acompanharem a evolução do processo para evitar influências externas indevidas no resultado do julgamento.
Joseph Kabila governou a RDC entre 2001 e 2019 e está sendo julgado à revelia, após seu retorno à cidade de Goma em abril de 2025, quando foi detido por rebeldes. Desde então, sua localização oficial permanece incerta. O ex-presidente também enfrenta acusações de assassinato e estupro, o que amplia o escopo do processo e aumenta a atenção de organizações internacionais sobre o cumprimento das garantias judiciais.


