Recuperação do setor bancário no 1.º trimestre de 2026

Resumo: Dados trimestrais mostram melhoria nos principais bancos angolanos: activos crescentes, depósitos em alta e prejuízos reduzidos, indicando recuperação operacional em curso.
Pontos-chave
No primeiro trimestre de 2026, os balanços revelam sinais claros de recuperação no sistema bancário angolano, com activos a expandirem-se e crescimento de depósitos. A combinação de maior captação de clientes, redução de custos e diversificação de receitas contribuiu para uma forte melhoria nos resultados operacionais, reduzindo prejuízos e reforçando a resiliência das instituições financeiras frente a choques externos e internos.
O stock de crédito cresceu cerca de 7%, impulsionado pelo crédito a particulares e pelo comércio, refletindo também um ambiente de taxas de juro mais baixas e estabilidade cambial. Particulares assumem liderança no volume de crédito, enquanto sectores como a indústria extractiva e o comércio mantêm participação relevante. A evolução sugere maior confiança na concessão de crédito em moeda nacional e recuperação gradual da procura interna.
Casos particulares mostram diferenças nos perfis de crescimento: alguns bancos ampliaram significativamente títulos e valores mobiliários, enquanto outros apresentaram recuperação via depósitos de clientes. A redução da dependência de financiamento interbancário e o aumento dos fundos próprios reforçam a solvência. Analistas destacam que a continuidade destas tendências depende de manutenção de políticas monetárias estáveis e de disciplina na gestão de activos e passivos.
Apesar da melhoria, persistem desafios: resultados operacionais ainda negativos em algumas instituições e concentração em rubricas específicas podem limitar a sustentabilidade do crescimento. É essencial a implementação continuada de medidas de racionalização de custos, melhoria na qualidade do crédito e diversificação das fontes de receita para assegurar a transição para lucros consistentes ao longo de 2026.
Em síntese, o panorama trimestral aponta para uma trajectória positiva: recuperação dos principais indicadores macro e microprudenciais, maior confiança dos depositantes e um ambiente mais favorável ao crédito em kwanzas. Se as tendências se mantiverem, os bancos poderão alcançar equilíbrio operativo ainda durante 2026, beneficiando a estabilidade financeira e o financiamento da actividade económica no país.



