Crédito mal parado derruba 75% dos lucros do BPC

Resumo: Lucros do BPC caíram 75,61% no 1.º semestre, de 58,311 para 14,219 mil milhões de kwanzas, afetados pelo crédito mal parado e por depósitos estatais concentrados.
Pontos-chave
Em 21 de outubro de 2025, às 11h44 (Luanda), o Banco de Poupança e Crédito (BPC) anunciou que seus resultados do primeiro semestre revelaram uma queda significativa nos lucros, passando de 58,311 mil milhões para 14,219 mil milhões de kwanzas, representando uma diminuição de 75,61% em relação ao período homólogo. Os dados oficiais, auditados por empresa, apontaram cinco reservas às demonstrações financeiras, destacando fragilidades na contabilidade de ativos e passivos.
Segundo o economista José Lumbo, citado pela Rádio Correio da Kianda, o aumento dos níveis de crédito mal parados, próximos de 30% da carteira, foi o fator determinante para a retração dos resultados. A concentração de passivos em depósitos do Estado reduziu a margem financeira, limitando a capacidade do BPC de conceder créditos comerciais e impactando diretamente a rentabilidade do banco.
Analistas ressaltam que as questões macroeconômicas, como a desvalorização cambial e o aumento dos custos operacionais, agravaram o contexto financeiro do BPC. Se considerado o lucro antes de impostos, a queda percentual seria de 73,45%, fixando-se em 16,288 mil milhões de kwanzas, o que evidencia a sensibilidade do banco às variações cambiais e às pressões inflacionárias nos custos administrativos.
O gestor implementou o programa Recredit, visando a recuperação de créditos em atraso, o que valorizou a qualidade da carteira. Apesar do recuo nos lucros, há indícios de avanço na eficiência operacional e nas práticas de gestão. Especialistas recomendam que o Conselho de Administração mantenha os esforços técnicos, focando em transparência contábil e diversificação de fontes de receita para acelerar a retoma do crescimento.
Para o economista José Lumbo, é crucial acompanhar de perto a evolução dos níveis de crédito mal parado e as estratégias de mitigação de riscos. A recuperação financeira do BPC dependerá de reformas estruturais no setor bancário angolano e da adoção de políticas monetárias que estimulem a diversificação de ativos. O panorama futuro exige monitoramento constante e ajustes regulatórios para garantir a estabilidade.



