TC Rejeita Omissão na Lei de Autarquias

Resumo: Tribunal Constitucional rejeitou o pedido da UNITA de omissão na lei de autarquias locais e afirmou que o processo legislativo segue no Parlamento.
Pontos-chave
Em 29 de setembro de 2025, o Tribunal Constitucional angolano proferiu o Acórdão nº 1027/2025, avaliando a solicitação da UNITA para declarar omissão inconstitucional na criação das autarquias locais. A decisão foi tomada em plenário, com maioria favorável à rejeição do recurso. Dois juízes concederam votos vencidos, alegando violação do artigo 242.º da Constituição por atraso prolongado no processo legislativo.
No entendimento majoritário, o artigo 242.º da Constituição tem caráter programático e não impõe obrigatoriedade imediata. O Tribunal destacou que o Parlamento já aprovou propostas de lei em geral e que o processo legislativo segue em tramitação. A decisão reforça que a ausência de norma específica não configura omissão inconstitucional, mas instiga os partidos a buscar consensos para concluir a discussão em especialidade.
Os juízes Vitorino Domingos Hossi e Margareth Morais Nangacovie Quessongo votaram pela procedência da ação, sustentando haver omissão constitucional. Hossi argumentou que o atraso prolongado viola o dever de legislar do artigo 242.º. Quessongo defendeu que o Parlamento falhou em estabelecer prazos claros para eleições autárquicas. Ambos propuseram que o tribunal fixasse um cronograma de aprovação até o fim da sessão legislativa.
A UNITA, por meio de Faustino Morais Mumbika, classificou a decisão como desrespeito à Constituição, acusando o MPLA de obstrução política. Mumbika destacou a promessa de autarquias em 2020 pelo Executivo e lembrou que a participação cidadã é prejudicada pela centralização do poder. O partido adversário prepara novos recursos judiciais e políticos para pressionar a aprovação da lei de forma célere.
O governo afirmou que o debate está no âmbito legislativo, destacando que as manifestações não substituem o trabalho parlamentar. Analistas apontam risco de desgaste institucional e atraso no fortalecimento do poder local. A ausência de cronograma mantém incertezas sobre as eleições autárquicas. Observadores recomendam diálogo político e prazos claros para evitar novos recursos e garantir a implementação da descentralização prevista na Constituição.
Fontes
Autarquias: "Por parte do MPLA não há vontade política"
Partidos da oposição dizem que " rejeição do TC da inconstitucionalidade por omissão da não aprovação da Lei das Autarquias no Parlamento serve para salvaguardar os interesses do partido poder"
Autarquias: Tribunal Constitucional chumba pedido da UNITA



