O elevado número de casos de abuso sexual contra menores está a preocupar as autoridades angolanas e líderes religiosos, que defendem uma resposta conjunta para reforçar a prevenção e a protecção das crianças.
Entre Janeiro e Junho deste ano, Angola registou 645 casos de abuso sexual de menores, num total de 9.072 casos de violência contra crianças.
Os dados foram apresentados esta segunda-feira, em Luanda, durante o Simpósio sobre Prevenção e Combate ao Abuso Sexual de Menores, promovido pela Ordem dos Pastores Evangélicos de Angola, OPEA, em parceria com o Instituto Nacional da Criança, INAC.
Segundo o director-geral do INAC, Paulo Kalesi, além dos casos de abuso sexual, foram registadas 2.415 ocorrências de violência física e 1.010 de violência psicológica no primeiro semestre de 2026.
O responsável revelou ainda que 15% das denúncias de abuso sexual apresentadas no período envolvem alegados pastores ou outros líderes religiosos, sendo que alguns dos suspeitos encontram-se detidos.
Paulo Kalesi chamou a atenção para denúncias de abusos ocorridos em espaços de culto, vigílias e outras actividades religiosas, defendendo uma revisão das práticas e dos ambientes que possam colocar crianças em situação de risco.
Perante este cenário, o bastonário da OPEA, Bernardo Amilton dos Santos, anunciou a preparação de uma Declaração de Luanda, que deverá reforçar o compromisso das igrejas com a protecção dos menores.
O líder religioso anunciou igualmente a realização de acções de formação para ministros de culto, com o objectivo de melhorar a prevenção, identificação de situações de risco e encaminhamento de denúncias.
Bernardo Amilton dos Santos defendeu que os locais de culto devem ser espaços de segurança, protecção e acolhimento, repudiando qualquer envolvimento de líderes religiosos em actos de violência contra menores.
Na abertura do simpósio, a secretária de Estado para a Área Social, Dina Mayimona, considerou o abuso sexual de crianças uma grave violação dos direitos dos menores e alertou para as consequências físicas, emocionais, psicológicas e sociais provocadas por estes crimes.
A governante defendeu uma intervenção coordenada entre Estado, famílias, comunidades, instituições religiosas e organizações da sociedade, para prevenir os abusos, melhorar os mecanismos de denúncia e garantir acompanhamento às vítimas.
O encontro decorre sob o lema “O Papel dos Ministros de Culto na Protecção da Criança e na Prevenção do Abuso Sexual de Menores” e junta responsáveis públicos e líderes religiosos para discutir formas de reforçar a protecção das crianças em Angola.




