Lobito – Um grupo de académicos angolanos propôs, esta sexta-feira, na cidade de Benguela, a implementação de um sistema de alerta aos munícipes residentes na margem do rio Cavaco, para prevenir danos humanos e materiais.
Lobito – Um grupo de académicos angolanos propôs, esta sexta-feira, na cidade de Benguela, a implementação de um sistema de alerta aos munícipes residentes na margem do rio Cavaco, para prevenir danos humanos e materiais.
O projecto foi apresentado à sociedade benguelense, durante uma palestra organizada pelo referido grupo, com o tema "Características geográficas da província de Benguela, sua influência no regime das quedas de água nos municípios litorâneos"
Falando à imprensa, o geógrafo Inocêncio Praia, um dos promotores do evento, afirmou que esta solução será apresentada ao Governo Provincial de Benguela, para prevenir futuros danos materiais e humanos.
O académico é de opinião que os cidadãos que vivem nas margens do rio, nomeadamente na Calomanga, Tchipiandalo e outros bairros, devem ser retirados paulatinamente dessas zonas e realojados em áreas mais seguras.
"O rio Catumbela não tem danos deste tipo, porque as pessoas não construíram próximo das suas margens", comparou.
O responsável referiu que a palestra surge como forma de chamar a atenção do Governo Provincial de Benguela, para que este saiba da existência deste grupo interessado em contribuir na busca de soluções para as enchentes do rio Cavaco.
Durante o evento, o geógrafo falou sobre a influência do regime de quedas pluviométricas nos municípios do litoral.
Segundo ele, a Corrente Fria de Benguela e outros fenómenos naturais exercem forte influência nas enchentes dos rios da província.
“Esses fenómenos são responsáveis pela diminuição ou irregularidade de chuvas”, acrescentou.
Por sua vez, o representante do Gabinete Provincial do Ambiente, arquitecto Afonso Mahapi, disse que a partilha de conhecimento sobre o território da província constitui um instrumento fundamental para uma melhor compreensão dos fenómenos naturais e para o reforço da capacidade de prevenção.
"Compreender as características geográficas da província de Benguela, a distribuição das chuvas e o comportamento dos fenómenos pluviométricos permite-nos interpretar melhor determinadas situações, que ao longo dos anos têm marcado a memória colectiva da nossa província", afirmou.
Disse ser inevitável recordar situações de calamidade que Benguela ainda mantém viva, decorrentes do rompimento do dique de protecção do rio Cavaco.
“As consequências demonstram, de forma muito concreta, a vulnerabilidade de determinadas zonas em momentos de precipitação intensa, bem como a relação entre o território, os cursos de água, a ocupação de zonas de serventia e o regime das chuvas”, enfatizou.
Na sua óptica, é justamente por isso que iniciativas como esta merecem o reconhecimento do Governo, porque ajudam na divulgação das características geográficas e climáticas da província, contribuindo para fortalecer os mecanismos de controlo dos riscos ambientais.
“Permite-nos compreender melhor a dinâmica pluviométrica dos municípios litorâneos e, sobretudo, retirar ensinamentos que possam contribuir para uma Benguela mais preparada e resiliente perante os desafios ambientais e climaticos", concluiu. TC/CRB




