O Escritório Nacional do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em Angola doou terça-feira, na cidade do Dundo, diversos equipamentos hospitalares às autoridades sanitárias da Lunda-Norte. O objectivo da acção é reforçar a capacidade de resposta da rede de saúde local.
O chefe da representação da Agência da ONU no país, Bartolomeu Milton, explicou que a iniciativa visa contribuir para a melhoria dos serviços médicos, sobretudo nas áreas de laboratório e cirurgia.
O responsável acrescentou que os materiais serão distribuídos conforme as necessidades prioritárias identificadas pelo sector da Saúde.
Segundo Bartolomeu Milton, a entrega destes meios está também associada ao processo de transferência da responsabilidade dos sectores da Saúde e Educação para o Governo Provincial.
“Este apoio vai colmatar algumas carências existentes nas unidades sanitárias da Lunda-Norte”, sublinhou.
Entre os bens entregues constam centrifugadoras, aspiradores, materiais de esterilização, microscópios e consumíveis de laboratório, além de instrumentos destinados aos blocos cirúrgicos.
Apoio aos refugiados
Bartolomeu Milton reconheceu também os esforços do Governo Provincial no apoio às comunidades de refugiados, particularmente aos cidadãos da República Democrática do Congo instalados no município do Lôvua.
O responsável acrescentou que, durante o funcionamento do assentamento, foi construída uma clínica para atender a essa população, a qual se encontra actualmente paralisada por falta de médicos.
O chefe do ACNUR revelou que o assentamento do Lôvua alberga 5.600 refugiados inscritos na base de dados da instituição. A situação do grupo tornou-se mais preocupante devido à redução da assistência humanitária, motivada pela escassez de recursos financeiros globais.
Quanto ao repatriamento voluntário, informou que a Agência já apoiou, este ano, o regresso de mais de 900 cidadãos às suas zonas de origem, sendo que a operação mais recente ocorreu a 12 de Setembro. O processo deverá prosseguir até ao fim do ano, dependendo da disponibilidade de verbas e das condições logísticas.
Entre os constrangimentos apontados estão a degradação dos 16 quilómetros que ligam o assentamento ao posto fronteiriço de Nachiri — percurso utilizado nas operações terrestres de repatriamento — e as dificuldades no acesso à documentação necessária para a integração dos refugiados na sociedade angolana.
O director do Gabinete Provincial da Saúde, Augusto Miguel, agradeceu o gesto do ACNUR, considerando a doação um contributo importante para o reforço dos serviços hospitalares regionais.




